13/05/2013

Desejo do cliente VS. Melhor alternativa para o projeto – O caminho do diálogo

nocartazNo início do ano esteve em cartaz o filme “NO”, estrelado pelo mexicano Gael García Bernal, uma boa pedida para quem trabalha no mercado de comunicação. Na trama, que tem como pano de fundo o final do período de ditadura no Chile, o ator vive o publicitário René Saavedra.

Após um período de exílio, por forças políticas, o personagem retorna ao país para trabalhar em uma agência de propaganda e, num dado momento, é convidado para encabeçar a campanha de oposição a Pinochet. Explica-se: o governo militar decidira convocar um plebiscito para legitimar a continuidade do general e lhe conceder um novo mandato, de oito anos, em regime democrático.

Após relutar por certo tempo, René aceita o desafio e vai à sua primeira reunião com o cliente – representado pelos políticos dos partidos de oposição a Pinochet. Como não poderia deixar de ser, todos querem explorar fatos históricos chocantes para convencer a população de que o melhor caminho é tirar o ditador do poder de vez. Porém, certo de que essa estratégia não daria certo, o publicitário apresenta como argumento central da campanha a felicidade. Surge, então, o bom e velho embate: como alinhar os desejos do cliente às melhores práticas da área? Afinal, nem sempre esses dois pontos são convergentes.

Sem entrar em detalhes da história – até para que você, leitor, sinta curiosidade o bastante para ver o filme – podemos dizer que o caminho escolhido foi o do diálogo. Por meio de conversas transparentes, que levaram em consideração pontos importantes das duas perspectivas, o coletivo chega à aprovação da estratégia certa. Afinal, por ser muito bem executada, ela fez com que a população optasse por destituir o velho Pinochet em favor de novos ares para o país.

Para quem atua no mercado da comunicação, é sempre importante refletir sobre como aproveitar o que há de melhor nas contribuições do cliente, fazendo a ponte com a melhor saída na perspectiva dos resultados. Mais do que isso: é preciso saber conduzir o processo de tomada de decisão, já que todo cuidado é pouco para não estressar o relacionamento agência/cliente. Às vezes, inclusive, é necessário dizer algo como “olha, este não é o melhor caminho, mas iremos em frente por ser uma exigência sua”. Em outras palavras, deixe marcado para o cliente o seu posicionamento, mas saiba ceder espaço num momento limite.

Uma iniciativa de sucesso só pode ser construída quando todas as partes (detalhe para o não uso da palavra pessoa, pois o consenso total é quase utópico e nem tão saudável) acreditam que estão na melhor direção possível. É essa crença que trará a força necessária para traduzir as ideias em ações.  

André Tito 




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