21/05/2013

Novos olhares

pontosite

“É preciso pensar fora da caixa”. Esse talvez seja uma das frases mais ditas em agências de comunicação, seja ela de relações públicas ou de publicidade. Aliás, esse conceito de que é preciso sair do trivial tornou-se quase que uma missão diária de todos os profissionais, independentemente da área em que atuam. Acontece que nossos pensamentos são fruto de uma combinação complexa de diferentes elementos, que vão dos traços individuais de personalidade às questões culturais de nosso tempo. Então, a capacidade de trilhar um caminho diferente durante processos criativos requer uma superação que vai além dos insights

Hoje, apresento para vocês um livro que talvez posso ajudar quem está em busca de olhares inusitados para a vida – trazendo, consequentemente, novas aproximações aos desafios profissionais. Trata-se da obra “O Ponto de Mutação – A Ciência, a Sociedade e a Cultura emergente”, escrito pelo físico Fritjof Capra. Publicado em 1982, o livro discute como se deu a construção da nossa forma de pensar, tendo como referência grandes nomes da ciência, como Descartes, Newton e Einstein.

Ao mesmo tempo em que demonstra os pontos principais de cada teoria – como os da Física Clássica – Capra nos permite entender os desdobramentos sociais gerados por ela. Quer um exemplo? A ideia de que o corpo humano é uma grande máquina fez com que os estudos da Medicina se voltassem a entender todas as “engrenagens” e suas interações, dando vida às especialidades clínicas. Outro apontamento feito pelo autor é que o fato de um dia termos entendido a Natureza apenas como uma fonte de matérias-primas para o nosso desenvolvimento – totalmente sem conexão com a existência humana – fez com que nossas tecnologias degradassem os ecossistemas em favor da “evolução”. 

Sempre refletindo sobre o contraponto do senso comum e da ciência convencional, Capra abre portas para o pensamento complexo, aquele que entende um determinado assunto em sua totalidade e não como a simples junção de suas partes. Como em uma teia de aranha, a vida seria uma junção de nós que se influenciam de maneira não linear, fora da lógica cartesiana.

 Se você está se perguntando o que tudo isso tem a ver com o seu dia a dia, a resposta é: tudo. Afinal, nossas crenças são as responsáveis pelo entendimento que temos da vida, direcionando nossas ações.

Dica: para quem não tiver tempo de encarar as mais de 400 páginas do livro, vale a pensa assistir o filme. O enredo é baseado no encontro de um cientista, um candidato à presidência dos Estados Unidos e um dramaturgo.  Ao longo de um dia eles vão debater de maneira leve e tranquila os paradigmas da sociedade, indo da física quântica à poesia. 

André Tito




Deixe um comentário