4/06/2013

Em busca dos sonhos

maiointerna1Imagine-se num momento histórico do seu país em que todas as grandes questões – da política à cultura – estão sendo discutidas e repensadas. Agora, vislumbre que essa onda de questionamento toma conta de outras regiões do mundo, tencionando as velhas tradições em favor do surgimento do novo. Se você acha que já leu uma descrição parecida antes, deve estar certo, pois esse é um breve resumo do ano de 1968, quando os jovens estudantes franceses explodiram um movimento que já estava no ar durante toda a década de 1960.

Com esse pano de fundo é que se desenrola o filme “Depois de Maio”, do diretor Olivier Assayas. Com uma bonita fotografia e tomadas que nos fazem mergulhar na história, o longa demonstra os conflitos – existenciais e práticos – vivenciados por um grupo de estudantes que querem deixar a sua marca no mundo, mesmo que isso demande sacrificar o gosto particular em prol do sucesso coletivo.

O destaque da trama fica para o personagem Gilles (Clément Métayer), que além de se engajar nas causas políticas, trilha seu caminho no mundo das artes; primeiro, na pintura e, depois, no cinema. Com o passar do tempo dá para perceber como as nossas paixões vão mudando e o que era fundamental antes pode ser deixado de lado para seguirmos outros anseios. E já que estamos falando da terra do amor, a França, não poderiam faltar os romances arrebatadores da juventude.

Do lado das mulheres, a atriz Lola Creton é quem chama a atenção no papel de Christine. Completamente envolvida no movimento político, ela deixa a vida seguir conforme o momento, indo até o interior da Itália para acompanhar algumas filmagens sobre os operários e suas reivindicações. Num certo ponto, ela se vê apaixonada por Gilles em meio a toda a agitação daqueles dias e a reciprocidade dele faz com que a aproximação dos dois seja inevitável.

Sem aquele ar saudosista típico de quem fala do passado como o tempo em que as coisas eram boas, o filme lida com sentimentos relacionados aos nossos desejos por uma sociedade melhor (e o que fazemos para que ela exista) e por uma vida plena. Para isso, reconstrói diferentes rituais típicos daquela época, como passeatas, manifestações, festas regadas à música psicodélica e experiências com drogas. De maneira sutil, também é demonstrada a curiosidade do ocidente pelas tradições orientais – algo que abordamos em nosso último post.

Para quem quer ver uma produção que une história e artes visuais – em diferentes sentidos –, “Depois de Maio” é uma ótima pedida. Confira o trailer e vá até o cinema mais perto de você! 

André Tito




Deixe um comentário