7/02/2014

A biblioteca do mundo

Esqueça um livro - Felipe Brandão - Sé

No dia 25 de janeiro, ruas e avenidas de diversas cidades do país foram palco de uma ação coletiva em prol da democratização da cultura. A data foi escolhida como o Dia Nacional do “Esqueça um Livro”, projeto idealizado pelo jornalista e coordenador da área de digitais de uma editora, Felipe Brandão, em abril do ano passado. Segundo ele, “pequenas ideias, em diferentes lugares, podem transformar o mundo”.

Apoiado pelo site Catraca Livre, o evento teve como objetivo o ato de deixar um livro em algum local público para que qualquer pessoa pudesse encontrá-lo e lê-lo, repetindo o gesto em seguida. Para a identificação dos participantes foi criada uma página em que os adeptos podem postar as fotos de seus “esquecimentos” ou “achados” e, também, fazer o download gratuito do marcador de páginas oficial do projeto.

Disseminado pelas redes sociais, o episódio de São Paulo foi a inspiração para o surgimento de organizações locais, em que pessoas de diversos estados também aderiram ao projeto. Com mais de 600 títulos prometidos apenas para a Avenida Paulista, o “Esqueça um Livro” atraiu amantes da literatura para as ruas durante a tarde de sábado, promovendo encontros e bons momentos aos participantes.

“Vivemos uma época na qual cada um se preocupa consigo mesmo, em que ter é melhor do que ser. Acho que a história de alguém que decide se desfazer dos seus livros para um bem comum é um tanto curiosa. Também acredito que o brasileiro se mobiliza facilmente para boas ações”, relata Felipe.

A prática nomeada originalmente de bookcrossing foi oficializada em 21 de abril de 2001, pelo sócio da companhia Humankind Systems Inc, Ron Hornbaker, ao criar um site em que os livros libertados são registrados para que possam ser acompanhados durante sua jornada. Além do cadastro e rastreamento gratuitos, a plataforma online permite aos usuários compartilhar informações para que encontrem os exemplares deixados e troquem experiências. Os dados totalizam: 1.173.245 bookcrossers, 10.120.294 livros viajando por 132 países.

“O objetivo do projeto é incentivar a leitura e compartilhar conhecimento. Quanto mais leitores surgirem, mais livros serão lançados, mais escritores serão lidos, mais o Brasil ganha”, afirma o idealizador do projeto brasileiro. Definindo-se como uma biblioteca mundial e tendo como missão conectar as pessoas por meio de livros, o hábito é visto por muitos entusiastas como uma forma de celebração da literatura e da democratização da informação, formando uma ideologia.

Como muitos dos livros libertados não retornam à circulação, os participantes mais ativos determinaram os OBCZ – Official Bookcrossing Zone -, sigla que em português quer dizer algo como “zona oficial de troca de livros”, conhecidas como locais frequentes de libertação e de prática autorizada pelos donos dos estabelecimentos, tendo alguns, inclusive, montado áreas especiais com prateleiras sinalizadas.

Atualmente, os países com maior número de registros são os Estados Unidos, a Alemanha e o Reino Unido. No Brasil, apenas na cidade de São Paulo existem locais oficializados da prática, como a Central das Artes e a Casa das Rosas.

Atraindo pessoas do mundo todo, a prática que valoriza e estimula o hábito da leitura é exemplo de ação social conjunta que obteve sucesso. Envolvendo não somente a questão cultural, desperta o lado humano de cada um, incentivando a generosidade, o compartilhamento de conhecimento e a criação de vínculos.

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Quer ir atrás de um livro libertado em São Paulo? Visite os locais citados na matéria:

Central das Artes

Endereço: Rua Apinagés, 1082, Sumaré, São Paulo

Horário de funcionamento: todos os dias à partir das 12 horas

Telefone: (11) 3865-4165

Site oficial: http://www.centraldasartes.com.br/

Casa das Rosas

Endereço: Avenida Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo

Horário de funcionamento: terça-feira a sábado das 10h às 22h; domingos e feriados das 10h às 18h.

Telefones: (11) 3285-6986 e (11) 3288-9447

Site oficial: http://www.casadasrosas-sp.org.br/


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