17/02/2014

O retrato de uma geração

Museu da Língua Portuguesa - Cazuza  (PNG2)Aberta ao público em 22 de outubro de 2013, o conjunto é marcante na história do museu por se tratar da primeira exposição sobre um músico. Com o arquiteto e cenógrafo Gringo Cardia como curador, a mostra já alcançou aproximadamente 100.000 visitantes, segundo a orientadora Maiara Fortes. CAZUZA mostra sua cara é uma experiência sinestésica impactante que parece nos levar de volta ao tempo da forte identidade criada pelo rock emergente dos anos 80. Vale dizer que, naquele momento, a juventude do país se dividia em grupos de traços bem definidos, originados de acordo com as preferências relacionadas às vertentes musicais e direcionamentos políticos.

O foco vai além da obra do compositor, percorrendo a história da música nacional desde os primórdios da Bossa Nova, quando o arcadismo entra em conflito com a modernidade, e a poesia ganha espaço nas canções. Os rostos de cidadãos comuns personificam o lirismo da música de Cazuza e, por isso, anônimos inundam a sala repleta de fotos e pôsteres, dando vida às letras conhecidas por todos nós.

Passamos por salas com entrevistas memoráveis e polêmicas do poeta. Um jogo de luzes com som alto ao fundo revela a força das músicas do ídolo. Depoimentos de amigos do mundo artístico mostram a relevância dos movimentos políticos e sociais para a época, com declarações que impressionam e provocam: é posto em destaque o comportamento dos jovens frente às atuais iniciativas políticas, colocando-os no papel de protagonistas do surgimento do novo. Monitores revelam a arte por trás das palavras: o que Cazuza fazia é, sim, poesia, e toda a estrutura de seus versos é destrinchada. Faixas ilustram os gritos de ordem da geração. Objetos pessoais, rascunhos e cartas abrem o lado humano do ícone da MPB. Somos ainda convidados a fazer parte do espetáculo, com microfone e Karaokê abertos ao público.

Cazuza cresceu em meio ao rebuliço. Nasceu com um Golpe de Estado opressor, mas se manteve imerso no universo de busca pela liberdade de expressão. Viu o povo tomar as ruas em busca de direitos, viveu o crescimento e a disseminação dos festivais de música independente, respirou inquietude durante toda a sua vida. O músico que via no samba e no blues enorme semelhança adquiriu linguagem de enorme força política durante sua ascensão artística, tornando-se a voz atemporal da juventude, repercutindo em todas as novas gerações, mesmo após 23 anos da sua morte.

Agenor de Miranda Araújo Neto pode ser visto como um fiel retrato da glória do mundo da arte e a escória da dependência das drogas. Herdeiro da gravadora Som Livre, império da música nacional que não foi seu e nem o apoiou em sua carreira, ainda é homenageado por sua legião de fãs que se perpetua com o passar do tempo. Seus heróis morreram de overdose e Cazuza teve o mesmo fim precipitado: faleceu em julho de 1990 por um choque séptico causado pela AIDS. Fez-se ideologia.

Texto e fotos: Juliana Milan

Veja você também:

Endereço: Praça da Luz, s/nº – Centro – São Paulo – SP

Período: 22/10/2013 a 23/02/2014

Horário de funcionamento: Das 10h às 18h, sendo que a bilheteria fecha às 17h. O Museu abre na última terça-feira de cada mês das 10h às 22h, sendo que a bilheteria fecha às 21h.

Valores: R$ 6,00 para o público em geral. R$ 3,00 para estudantes com carteira de estudante do ano e documento de identidade, pessoas com 60 anos ou mais e aposentados mediante a apresentação de documento comprobatório. Aos sábados o ingresso é gratuito para todos os visitantes.

Aproveite: Nesta última semana, o Museu da Língua Portuguesa abre suas portas a todos de forma gratuita. Este é mais um motivo para você não perder esta chance de conhecer um pouco mais do “garoto que queria mudar o mundo”. 

Site oficial: http://www.museulinguaportuguesa.org.br/

Museu da Língua Portuguesa - Cazuza  (13_JPG)


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