11/11/2019

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30/11/2015

Por todos os lados

Machismo no Universo Feminino - Mural

Por Paloma Vasconcelos

É duro pensar que existe, mas, infelizmente, ele é muito frequente. Estão enganados os que definem o machismo como algo exclusivo ao gênero masculino. Ainda que em termos gerais a sociedade seja machista, justiça seja feita ao fato de que o universo masculino está deixando de lado o pensamento obsoleto para aliar-se à reflexão feminista. Em contrapartida, tenho notado mais mulheres propagando o discurso machista. Tudo meio confuso e misturado, né?

Antes das reflexões sobre esse tema tão polêmico e complexo, é importante destrinchar morfologicamente cada um dos termos. Segundo o dicionário Michaelis:

- O machismo é a atitude ou o comportamento de quem não admite a igualdade de direitos para os gêneros, sendo, pois, contrário ao feminismo.

- Por sua vez, feminismo é: 1) Movimento filosófico iniciado na Europa com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos.

Agora podemos falar do assunto sem interpretações equivocadas.

Nos primórdios do século XIX, a mulher não possuía permissão ao sufrágio, não podia trabalhar e nem tampouco gozava de liberdade: era propriedade do homem – inicialmente do pai e depois, do marido. Com o decorrer dos anos, tivemos algumas conquistas: votar, trabalho e autonomia dentro dos lares. Graças a essas e muitas outras lutas e sofrimento, deixamos de ser o “sexo frágil”.

Ainda não há equilíbrio e muito menos igualdade entre os gêneros. Para se ter uma ideia, em 2014, a média salarial da mulher na região metropolitana de São Paulo foi 19% menos que a dos homens, segundo a Pesquisa Emprego e Desemprego do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). A diferença caiu em relação aos últimos 30 anos, porém: assim como a ocupação em cargos estratégicos é inferior – a mesma pesquisa cita, aliás, o crescimento da taxa de desemprego, que foi de 11,7% para 12,2% entre 2013 e 2014.

Isso porque ainda não pensamos nos casos em que somos tratadas como objeto de posse e, por conta disso, “vivemos dando motivos” para que a violência doméstica aconteça. A fragilidade da lei, que deveria nos proteger, é evidente e já deixou muitas morrerem pelo simples fato de terem nascido mulheres.

Quando olhamos para sociedade brasileira,  especificamente, podemos dizer que a situação é difícil. Assim sendo, questiono: não deveria haver união da classe feminina, já que a luta não acabou? Sem dúvidas, sim. Mas a realidade é outra.

Existem algumas situações corriqueiras que todo mundo já ouviu ou presenciou, entre as mulheres:

1) É muito comum, no verão, que os homens saiam de suas casas sem camisa (inclusive nas cidades não litorâneas), certo? Tão habitual que não provoca olhares. Na mesma situação, se uma de nós usa uma roupa “menor” do que a sociedade “permite”, duas situações certamente acontecerão: a) algum do sexo masculino irá soltar uma cantada (e parte de nós não gosta de cantadas, olhares ou qualquer ação indelicada e constrangedora); b) outras mulheres usarão palavras de baixo calão para definir o caráter da pessoa desconhecida – pelo simples fato de levar em conta o tamanho de sua roupa. Completando isso, frequentemente observo a insatisfação feminina com a roupa “da outra”. O ser humano acredita ter um direito que na verdade não tem: o de julgamento. Não parece, mas somos livres para ser o que quisermos. E, nesse sentido, grito pelo justo: podemos e devemos usar a roupa que mais nos agrada; seja ela dessa ou daquela cor, longa ou curta.

2) Outro clássico exemplo de machismo é resumido pela ideia de que o “meu namorado traiu, mas a quem não presta é ela”. Por que a infidelidade é culpa da mulher, e não do caráter dele? Outro ponto semelhante a esse, um homem “pegador”, que fica com várias garotas é: macho, normal, mito. Em equivalência, a mulher que se dá bem na pista, bem… nós sabemos o que se pensa dela.

Tenho consciência de que o problema não se limita apenas às pessoas: está na nossa estrutura, patriarcal. Para a sociedade, o homem precisa ser “macho”: na infância, é proibido de brincar com boneca ou assistir “filmes de menina”, na fase adulta é aconselhável que não seja romântico, não chore e nem pensar em gostar de praticar os afazeres do lar. Do mesmo modo que a mulher: precisa ser recatada, obediente, gostar de cuidar da casa e cozinha (é incentivada a isso, aliás), não pode gostar de futebol, e, claro, precisa ser feminina. Por crescer em uma sociedade extremamente conservadora e machista, é difícil enxergar isso de forma distinta. E o ciclo permanece interminável.

Como comunicóloga e jornalista em formação, confesso que, antes do iniciar a graduação, tinha discursos machistas – apesar de nunca os ter percebido. Quando criança, por causa da formação musical estritamente roqueira em casa, não entendia o motivo pelo qual as cantoras de rock não dançavam e não eram “vulgares”, enquanto as divas pop sim. Durante muito tempo foi difícil não gostar de brincar com boneca e preferir a bola, já que, em todo lugar, ensinavam que esse não era o certo. Mais tarde, o pensamento de como a mulher deveria se portar, principalmente em termos da vestimenta, ainda faziam parte do meu ponto de vista, mas hoje sei o quão equivocado ele era. No decorrer de todo esse tempo, até eu obter uma nova visão, tudo o que apontavam de errado para que eu também julgasse assim era: a mulher sendo ela mesma, apenas. Isto é, sendo o ser humano da forma mais ampla possível e tendo liberdade para mostrar o seu jeito de ser como ele sempre foi.

O feminismo no meio artístico

Destaco uma artista que recentemente tem defendido o discurso feminista de forma clara e honesta ao movimento: a cantora Pitty. Todos sabem da origem nordestina da cantora, o que, no meu ponto de vista, mostra muito de sua personalidade. Ela nasceu na região economicamente mais afetada do país, decidiu cantar rock e é mulher. Ou seja, ela sabe do que está falando! No final do ano passado, ela foi centro de um debate polêmico durante o programa Altas Horas, comandado pelo Serginho Groisman. Na ocasião, defendeu que ainda não temos os mesmos direitos e que não devemos nos comportar de uma forma que agrade os homens, visto que eles não têm o direito de achar coisa alguma à respeito, nem sobre o que fazemos e muito menos sobre o que somos. Pitty compartilha o mesmo pensamento que o meu: o problema está enraizado em nossa sociedade, resultando na propagação do discurso machista pela mulher.

Em outros países é mais fácil ver celebridades engajadas nessa causa, como as atrizes Angelina Jolie, Emma Watson e Patricia Arquette (com o seu discurso feminista na 87ª edição do Oscar, ao receber o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante). Tenho a impressão de que em solo brasileiro ainda há muita resistência, ou medo, de expor e defender o ponto de vista publicamente quando se tem um nome conhecido.

Conhecimento Vale um parêntese para explicar que: o inverso de machismo é o femismo, ou seja, é a ideia da mulher ser superior ao homem e foi a forma encontrada pelas feministas para denominar os preconceitos ao sexo masculino praticados por outras feministas dentro do próprio movimento.

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28/11/2015

O mundo está perdido e nem a saideira nos resta

Por Gabriel Moreno

Quando pequeno, achava que o mundo estava perdido simplesmente por conta das propagandas de supermercado que, na época, anunciavam a oferta da cerveja: “Brahma ou Antarctica, lata, por apenas 93 centavos! ”

- Que absurdo! A cerveja custa menos de R$ 1 e está mais barata do que a água São Lourenço!

Reclamava com a minha avó, que apoiava a minha tese:

- Isso é para os bêbados beberem mais! – ela dizia.

Mal sabia eu que, anos mais tarde, estaria tomando Antarctica Sub-Zero, em pleno Carnaval, a R$ 2,50 e ainda dizendo que “não era uma cerveja tão ruim assim”.

Os tempos mudaram e o mundo, realmente, não estava perdido por causa da cerveja barata (que, depois, ficou bem cara). O que se perdeu foi uma barriga ainda sem pelos e com quase nada de gordura. Ela foi substituída por uma pança de respeito, que gera aflição na minha mãe, mas provoca orgulho no meu sogro: “êta, aposto que nessa barriga de chope só tem marca boa, hein?!”. Não cheguei a comentar da Sub-Zero e disse que “a gente faz o possível para se manter em forma, né? Mas quem resiste a uma Heineken gelada? ”.

O que se perdeu também foi o dinheiro que sobrava da mesada no fim do mês e que agora virou um salário que some em pouco tempo de bar.

Perdeu-se também uma amizade que durava desde o tempo em que eu achava o preço da breja absurdo. A minha amiga ficou meio brava quando a cerveja (não fui eu, juro) disse, na lata, que o namorado dela era um idiota.

Mas o que se perdeu de mais valioso foi a esperança de que, um dia, o preço voltaria ao que conheci com uns 10 anos. Que saudade! Como fui bobo! Acho que isso nunca mais vai voltar.

O que me resta, agora, é não reclamar do preço, mas esquecer de todos problemas. Bebendo. Enquanto nenhuma manifestação séria tomar a Paulista com cartazes escritos: “Abaixo o preço da cerveja! ”, a solução será pagar pelo Litrão caro do bar, enquanto discuto com os amigos que ainda me restam, se o mundo está ou não perdido.

Gabriel Moreno Senaha é estudante de jornalismo e assistente de Conteúdo na AC. Virginiano de feriado, é daqueles que gosta de observar as coisas e escrever sobre elas sempre que a criatividade permite. Por aqui, você vai vê-lo falar de cultura, histórias, esportes e, até mesmo, arte e conteúdo.

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26/11/2015

Sua TV já não é a mesma

Netlix - Mural

 Por Everton Aguiar

A matéria de capa da última edição da Exame traz a revolução digital como o fator que vai transformar o modo de vermos TV. Com uma explicação didática e bem detalhada, fala-se sobre o crescimento dos serviços OnDemand, como Youtube e Netflix, e de uma possível ameaça ao que conhecemos hoje nas modalidades paga e aberta. Não quero incentivar teorias do apocalipse, mas refletir sobre a questão comportamental, pois teremos uma influência direta na forma como levamos a vida.

Ao contrário do que as empresas tentam passar, serviços por internet aprendem com você apenas o que eles precisam saber. O problema é que você “aprende” com eles muito mais do que imagina, até mesmo sem querer.  No caso do Netflix, ao procurar um título no mosaico, você não escolhe apenas um nome, você escolhe ator/atriz, gênero, lugar que gosta e até mesmo hábitos de um personagem pelo qual você simpatiza. Tudo isso é passado pra eles com o cruzamento de uma série de variáveis.

Imagine que, em um futuro não muito distante, esses dados não sejam apenas utilizados para sugerir outra película que tenha a ver com você, mas, sim, orientar a produção inteira de um filme ou série. Com isso, cada conteúdo poderia atingir com eficiência um determinado perfil de público, o que valorizaria as ações de merchandising. Junte tudo isso ao fato de que cada assinante consome em média 2,5 episódios ao se conectar ao sistema. O Youtube já faz algo parecido quando sugere vídeos baseados em escolhas anteriores. Ele traz opções que, via de regra, você acaba assistindo, mesmo que estejam vinculadas a anúncios publicitários – igualmente selecionados para o seu perfil.

Com a popularização, esse tipo de serviço vai causar uma dependência tecnológica ainda maior nas pessoas, uma vez que já pode ser acessado em diferentes plataformas como celulares, computadores e nos próprios televisores. Conseguir assistir o que quiser, a qualquer momento e em qualquer lugar, tem muito mais a ver com o ritmo agitado das grandes cidades, mas também incentiva a individualização. Eu, por exemplo, sou refém dos serviços de streaming (envios de informações multimídias pela internet) em quase todos os dispositivos inteligentes que tenho. Para mim, poucas atrações da TV paga ou aberta merecem uma reserva de horário na agenda para serem assistidas, como acontecia antigamente.

Até mesmo no caso da música, a tendência aponta para a aposentadoria dos CDs e, pasmem, dos mp3. Novos aplicativos como Spotfy e Rdio permitem ouvir uma infinidade de artistas sem a necessidade de download, ou seja, ter um banco de dados com milhões de músicas na palma da mão. Monte uma playlist misturando gêneros, artistas, ritmos e até movimentos culturais, da mesma forma que você fazia com o seu CD do Axé Bahia. Se não tem tempo, nem paciência, há como escolher uma lista pronta. Vejo esse avanço com bons olhos, pois além de não exigir um espaço de memória nos dispositivos, também ajuda a combater a pirataria.

Os equipamentos (hardware), por sua vez, causam uma verdadeira confusão na cabeça dos consumidores. No início da década passada muitos televisores ainda eram de tubo, agora, além deles estarem extintos, os recursos dos aparelhos são tantos que fica difícil saber o que priorizar. Tem LED, LCD, Plasma. Todas têm a tela fina, mas você vai querer aquela com internet. É ai que o vendedor te oferece uma 4k (Ultra HD) e você, sem saber o que é e pra que serve, vai embora e se matricula em um curso de tecnologia, afinal alguma coisa está errada.

Na minha visão, por mais legal que seja, essa tendência on demand vai acabar seguindo o mesmo caminho dos livros digitais, que já estão consolidados no mercado, mas longe de amedrontar o bom e velho papel. Ela vai atender a diferentes necessidades dos consumidores até porque bons hábitos como se surpreender com um programa ao trocar de canal e assistir as transmissões ao vivo estão nas raízes do comportamento do telespectador, da mesma forma que os apreciadores da boa música não vão abrir mão de ter os álbuns dos seus artistas preferidos nas prateleiras. Eu, por exemplo, conseguiria facilmente deixar de lado a TV convencional, mas só porque prefiro atividades ao ar livre, não porque pretendo optar por um serviço por internet.

 

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22/11/2015

Uma história real? Sério?

Invencível - Mural_PNGCoincidências da vida ou não, o fato é que na terça-feira tive um momento paradoxal ao encarar os mais de 120 minutos do filme “Invencível”, dirigido por Angelina Jolie. Mais sedentário que dicionário, tenho tentado voltar a correr e meros 6 kms foram suficientes para me derrubar na manhã daquele dia. Mal sabia eu o tapa na cara que me esperava ao sabor de pipocas e coca-cola de máquina sem gás (como sempre)…

Bom, se você quer saber mais sobre o longa, pode correr para a parte curta lá embaixo, pois o que me pegou mesmo foi a história desse monstro chamado Louis Zamperini. Saí da sala com a seguinte pergunta na cabeça: “caralho, quantas coisas alguém pode suportar numa única vida e ainda assim manter um mínimo de sanidade?”. O cara ficou naufragado por mais de 45 giros da terra em seu próprio eixo, apanhou mais que o Rock Balboa em todas as sequências somadas, sobreviveu a dois acidentes de avião… Situações vivenciadas depois de ter participado de uma Olimpíadas enquanto era secundarista. É, meu amigo, se esse cara tivesse um perfil no Instagram ele chamaria a atenção de qualquer pessoa.

Desculpa, já quase ia deixando escapar o motivo de ter usado a palavra paradoxal lá em cima. Simples: temos uma forte mania de reclamar de tudo e deixar tudo para depois. “Ah, amanhã eu vejo aquele curso”. “Minha barriga está crescendo, mas no final de semana eu farei exercícios”. “Poxa, trabalho tanto e não consigo juntar dinheiro”. Enfim, a lista é interminável, mas existe algo que me parece estar sempre presente. Trata-se da inércia, da nossa capacidade de se acostumar com a realidade e deixar de interferir no curso da nossa própria história.

Eu tinha passado mal, literalmente, depois de correr míseros 6 kms enquanto esse cara suportou vivenciar uma Guerra Mundial nas piores condições que poderiam existir – até morrer parece mais atraente do que a trajetória do Louie. E não é só isso: milhões de pessoas enfrentam condições extremas de vida, gastando todas as energias para sobreviver, para achar o pão de cada dia, água, dignidade e tudo mais que pode formar um mínimo de suspiro da existência.

Para mim, o caminho mais fácil e tentador é o de associar a corrida com o mal estar e deixar de lado esse projeto. Sei lá, vou precisar cuidar da alimentação, do horário de dormir e levantar, da roupa, do tênis, escolher o trajeto… Parece tanta coisa que estimula uma canseira prévia. Dá vontade de continuar assim: insatisfeito e reclamão. Mas todo mundo tá reclamando, né? Vamo que vamo!

Brincadeiras a parte – não quero ser mais esse projeto de pessoa sem saúde no futuro – vale muito a pena pensar sobre o que essas pessoas com o Zamp têm de diferente. O que será que as dá energia para transformar as mais impossíveis barreiras em estímulo para seguir adiante? Não tenho a resposta e se você tiver pode me mandar um e-mail. O que sinto é que há algo de especial nessas histórias que podem nos fazer evoluir. Crescer de dentro para fora. Basta nos abrirmos para o que elas têm para nos mostrar de alma para alma.

Enquanto as cenas do filme apareciam, lembrava das cenas que vi ao vivo no final de semana que participei de uma dinâmica de construção da ong UM TETO PARA O MEU PAÍS. Lembrei que logo na primeira atividade física – levar um conjunto de vigas do alojamento para o terreno da construção com outro voluntário – eu já amoleci. Meu corpo não estava aguentando o peso, eu não estava saudável para aquilo. Mas não havia opção, era preciso terminar aquela tarefa e tantas outras que estavam por vir. Ao final de dois dias eu tinha dores em praticamente todas as partes do corpo e só um lugar estava tranquilo: o coração. Sim, ser feliz e pleno pode doer – no corpo ou no alma. Paradoxo de novo.

É isso que ganhamos quando nos esforçamos: prazer e paz de espírito. Aquele esforço a mais vale a pena, a gente sabe disso; mas, mesmo assim, ainda deixamos escapar o tempo. Acreditamos tão fortemente no futuro, que deixamos o presente virar passado sem transformá-lo. O Zamperini não era assim. Ele só tinha aquele instante, sempre dando o último suspiro. Todos estamos na mesma condição, ainda que isso não seja tão explícito. Mas é preciso lembrar que cada uma dessas palavras poderia ter sido a minha última.

Calma, não estou vangloriando a morte. Pelo contrário. Saber que ela existe, lembrar da nossa finitude pode ser a resposta para a pergunta lá de cima. Entender que o fim está cada vez mais perto, sempre, pode ser o combustível mais forte para o ser humano. O complicado é aprender a lidar com isso.

O filme

Pessoas mais entendidas podem se aborrecer com a minha opinião, mas o fato é que o filme não me agradou. A fotografia, sim, está bonita, mas o resto é mais do mesmo de Hollywood. Há uma certa enrolação em alguns trechos e por instantes parece que estamos vendo o sofrimento pelo sofrimento – sangue na tela é o que importa. Nesse sentido, o “A vida é bela” consegue traduzir com uma poesia muito mais forte o cenário do confinamento da guerra. É isso: senti falta de poesia, de uma ideia mais sutil e menos violência pela violência – em todos os sentidos da palavra.

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19/11/2015

Que o país não vai bem a gente já sabe, mas como anda a comunicação social?

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Por Everton Aguiar

Mais uma vez o povo foi para as ruas. Essas manifestações mostram a insatisfação acerca do cenário pelo qual vem passando o nosso país, por conta de uma série de fatores como aumento do dólar, escândalos de corrupção e a pressão da inflação. Mesmo descontente com tudo isso, eu preferi ficar em casa no último domingo, refletindo sobre os impactos que isso vai trazer para o Brasil e, também, para a minha área de atuação: a Comunicação Social, analisada especialmente pela ótica das Relações Públicas.

Para começar, é sempre bom ressaltar que todo RP que se preza gosta de crise. Talvez não o tempo todo, mas é algo de que ele não abre mão. Digo isso por experiência própria, pois trabalho há mais de 5 anos com comunicação e política. Acontece que, atuar na prevenção ou remediação desses casos é diferente de sentir na própria pele, e é isso que nós profissionais estamos experimentando nos últimos anos.

>O cenário econômico do país é um dos pontos que mais tem pesado. Por isso, profissionais e empresas da área tentam se reinventar e acumular expertises. Quem antes cuidava só de assessoria de imprensa, hoje faz também redes sociais, criação de conteúdo editorial, diagramação e até fotografia. Tudo isso para não perder o job. “Pintou algo diferente? Vamos conversar pra ver se também não dá pra encaixar no pacote”. O importante é não ficar sem o cliente.

Nesses tempos de instabilidade, os longos contratos são cada vez mais raros e muitos dos trabalhos são fechados em pequenos projetos ou em acordos sem multas rescisórias. Afinal, quando existem cortes e gastos, a comunicação, infelizmente, está na linha de frente das empresas. Acredito que, nesse sentido, os freelancers tenham com isso uma boa oportunidade e, sabendo se organizar, poderá formar grandes carteiras de clientes.

Quem trabalha no meio político tem um desafio ainda maior. Afinal, lidar com a manutenção da credibilidade e da boa reputação esbarra no senso comum. Não é raro ouvir alguém falar que todos são corruptos ou bandidos. Eu, por exemplo, já ouvi isso até mesmo de pessoas esclarecidas. Assim, trabalhar a divulgação de um representante exige a transposição de grandes barreiras, até mesmo na hora de prestar contas do mandato, quando poucos buscam ou aceitam receber informações sobre a atuação política efetiva.

Em paralelo, não podemos esquecer de outros problemas que acompanham os comunicadores há muito tempo. Entre eles está a formação precária dos profissionais da área. Muitas faculdades abriram mão de capacitar jovens talentos face à rentabilidade proporcionada por altas mensalidades e salas abarrotadas – a consolidação da base teórica não está mais no painel de pautas. Tudo isso contribui, com o perdão da palavra, para a prostituição desse profissional no mercado.  Quem pagar um pouquinho a mais, leva – o quê leva é que deve ser a questão.

Sofremos também com gente de outras áreas que, por saberem escrever e falar bem, sentem-se verdadeiros especialistas em comunicação. Claro que aqui estou exagerando um pouco, mas vale a reflexão. Apenas para ilustrar, mesmo tendo o conhecimento necessário, não me deixariam aprovar o projeto de um prédio sem ter a devida formação em engenharia, por exemplo.

Finalizo esse texto compartilhando um susto que levei ao ler uma matéria do Estadão. Se já não está fácil com concorrência desleal, mão de obra desqualificada e desvalorização profissional, agora estão começando a testar computadores que vão cuidar sozinhos da produção de conteúdo. Resumindo, sempre haverá espaço para quem tem comprometimento e sangue nos olhos para trabalhar, mas a nossa área terá que passar por uma grande reformulação, assim como a política brasileira, para que continue gerando resultados.

 

 

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16/11/2015

Dilemas

Assessor de Imprensa ou de Comunicação - Mural(1000)

Por Everton Aguiar

O que veio primeiro: o assessor de imprensa ou o de comunicação? Da mesma forma que a brincadeira do ovo e da galinha, fica difícil saber. No entanto, entendo que no Brasil o segundo é a evolução bem recente do primeiro. Assim como as mudanças pelas quais a comunicação social passou nos últimos anos, por necessidade de sobrevivência – conforme postamos no mês passado – os profissionais também tiveram que se adequar. Isso acarretou no surgimento de um “problema” nas novas definições e nas diferenças entre os dois profissionais, sobretudo por conta de terceiros (especialistas de outras áreas),não familiarizados com o nosso dia a dia.

Esse assunto me chamou a atenção quando conheci pessoas que tiveram que lidar com novas demandas no trabalho, como participar ativamente nas redes sociais e criar conteúdo para materiais impressos, por exemplo, além de produzir fotos. Embora fazendo tudo isso, elas continuavam a ser vistas como assessores de imprensa.

Isso tem acontecido com bastante ênfase na área da política e me preocupa especialmente quando se avalia os resultados. Ainda que o profissional desenvolva diversas atividades durante o mês, no final das contas o que importa são as métricas específicas, como o número de publicações conquistadas ou a quantidade de jornalistas em um evento.

Quando adotamos uma especialidade, como é o caso da assessoria de imprensa, assumimos o compromisso de cuidar e ter a melhor atuação na área. Já quando o trabalho pede uma ação mais ampla, você tem que ser visto como um profissional multifacetado; mas a cobrança deve abranger o todo e não apenas uma das partes.

Por isso, adotei no meu cotidiano uma estratégia mais radical e passei a corrigir e ressaltar o meu trabalho a cada um que cometesse essa confusão. Mesmo sem a oportunidade de explicar a diferença entre uma e outra frente, é importante deixar claro que ela existe.

Nas organizações privadas, considero situações como essa um mal necessário, pelo menos até que a empresa entenda a importância de uma área de comunicação bem estruturada. Já vi casos de administradores de empresas que atuam no RH usarem o tempo “livre” para cuidar da Comunicação Interna (algo mais comum do que se pensa).

Quem olha de fora não sabe dessa realidade e quando algo é feito sem qualidade, acaba questionando a capacidade da equipe de comunicação, sendo que, nesses casos, ela nem existe. Já quem enxerga de dentro percebe esse profissional como um “coitadinho”, com bastante coisa para ser feita e que em algumas vezes ele não consegue dar conta.

É importante entender também que a atuação de um assessor de imprensa é muito mais ampla do que parece. Ela não se resume apenas em escrever textos e lidar diretamente com os jornalistas. Ela abrange uma série de atribuições relacionadas à imprensa, como cobertura de eventos, media training, gerenciamento de crise e condução de entrevistas coletivas. Quando existe a mudança do público-alvo, o profissional passa a ser considerado assessor de comunicação, tendo outra gama de atividades. Sabendo diferenciar um do outro, você valoriza o profissional e entende o seu verdadeiro papel.

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15/11/2015

Os dois primeiros já foram. Que venham os próximos!

Assinaturas - Mural2

Este mês, a ArteConteúdo concluiu uma iniciativa interna relacionada aos seus dois primeiros anos de existência: a atual equipe fixa acaba de ganhar novas assinaturas. O desenvolvimento do trabalho foi realizado num ritmo tranquilo, ao som de muitas risadas, e levou em conta a mistura dos repertórios e gostos pessoais dos envolvidos.

“Dedicamos grande parte do nosso tempo aos desafios dos clientes e quando paramos para pensar em algo que é nosso, ligado à identidade da AC, temos a oportunidade de exercitarmos a imaginação de uma forma diferente. Para alguns, é apenas um detalhe. Mas, para nós, é mais um elemento da marca que queremos deixar por onde passamos”, comenta Tito.

Referências

A inspiração para os traços veio da linha criativa dos cartoons e, também, do chamado flat design, que dá o tom principal às peças. O uso das cores, por sua vez, não teve um lastro e foi escolhido por cada integrante da equipe.

Dá uma olhada no que fica registrado desta experiência para o Matheus : “No início, achei que levaríamos mais tempo até encontrar o caminho desejado para expressar a nossa maneira de ser. Porém, com o decorrer dos dias e os estudos de composição, o projeto foi executado rapidamente. Foi algo divertido, o que, inclusive, está refletido no espirito alegre das assinaturas”.

Gostou? Continue a acompanhar o Mural e confira outras novidades da AC!

Assinaturas_AC_2015_vfinal_Tito Assinaturas_AC_2015_vfinal_Vini Assinaturas_AC_2015_vfinal_Matheus

 

 

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14/11/2015

Novos rumos

7 Atividades_Mural

Por Everton Aguiar

Foi notícia no mundo inteiro o último desfile oficial da UberModel Gisele Bündchen, que deixa as passarelas após 20 anos de trabalho. O que chama atenção, porém, é o fato dela ter se aposentado com apenas 34 anos, o que certamente fez muita gente pensar sobre o que faria se estivesse em seu lugar. Por isso, procuramos algumas sugestões de carreiras e exemplos de profissionais bem-sucedidos para que não faltem opções caso a sua profissão tenha prazo de validade, a exemplo das modelos e dos jogadores de futebol.

- Comece a pintar

Por incrível que pareça, essa ideia não é só para quem tem “dom” para as artes. É uma forma de expressar diferentes sentimentos e, pintando, você pode até mesmo descobrir um grande talento desconhecido. Thomie Ohtake, por exemplo, iniciou sua brilhante carreira de artista plástica aos 40. Felizmente, ela viveu mais 61 anos para criar obras que a tornaram uma das maiores representantes do abstracionismo informal.

- Acredite nas suas ideias

Pensar “fora da caixa” define o perfil de muitos profissionais que se destacaram em suas realizações. John Pemberton era um farmacêutico de 55 anos que pensou em combinar um remédio para dor no estômago com uma bebida refrescante. Assim nasceu a Coca-Cola, uma das maiores invenções do século passado.

- Comece a cantar

Essa sim depende de um pouco de talento, mas quem prefere esse caminho geralmente já pratica há muito tempo, mesmo não tendo encontrado a oportunidade de se profissionalizar. Esse foi o caso do Cartola da Mangueira, que gravou seu primeiro CD com, nada menos, que 66 anos. Andrea Bocelli foi outro que dividiu o seu tempo: entre a música e o Direito Civil, até os 34.

- Invista em um bom negócio ou tenha a sua própria empresa

O sonho de empreender acompanha muitos profissionais e, na maior parte das vezes, não chega a ser realizado. Quem tem uma profissão com prazo de validade, geralmente se programa para abrir seu próprio negócio. No entanto, a vida pode nos pegar de surpresa e é sempre bom ter em mente uma ideia que poderia dar certo – o famoso Plano B. Foi mais ou menos isso que aconteceu com Ray Kroc, de 52 anos, ao acreditar e investir em um novo modelo de franquias de lanchonete. Ele passou de fornecedor de máquinas de milk-shake a proprietário da segunda maior rede de fastfoods do mundo: o Mcdonald’s.

- Escreva livros

Se você considera que a sua trajetória profissional até o momento é digna de ser eternizada, por que não colocar isso em um livro? Com isso, além de escrever com propriedade sobre um assunto, você ainda pode ter uma boa fonte de renda com a venda das cópias. A própria Gisele Bündchen está se arriscando nessa área, ao elaborar um livro comemorativo sobre seus primeiros 20 anos de carreira.

- Seja apresentador ou comentarista de programa de televisão

Sei que existem pouquíssimas oportunidades, mas se você tiver as qualidades certas você pode tentar uma pontinha na televisão. Praticamente todos os canais contam com apresentadores que já fizeram carreira em outras áreas, como é o caso da ex-modelo Ana Hickman e dos ex-jogadores Neto e Denílson. Também não podemos deixar de fora Willian Waack, que começou a carreira defendendo o nosso país na seleção de handebol antes de se tornar jornalista.

- Dedique-se ao esporte

Mesmo sendo difícil seguir a carreira esportiva de modo profissional após uma certa idade, aproveitar o momento de mudanças para incluir as atividades físicas em seu dia a dia pode ajudar a alcançar outros objetivos. Isso porque você aprende a planejar melhor e a superar diferentes desafios. Dráuzio Varela, por exemplo, não deixou de ser médico, mas incluiu a corrida em sua vida após completar 50 primaveras. Seu objetivo era nada menos do que completar uma maratona, ou seja, 42 km. Desde então, ele já finalizou inúmeras provas do gênero e mostrou que o sedentarismo é uma opção que nada tem a ver com a idade.

 

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9/11/2015

Reflexões

Ser RP

Por André Tito

Sempre escutei que a gente demora para entender as coisas. Bom, comprovei isso há alguns anos e tenho certeza que, pelo menos para mim, as fichas caem com um certo espaçamento de tempo das experiências que vivo. Prova disso – e que vai muito bem com o Mural – é a compreensão que tenho hoje sobre o que é ser um Relações Públicas. Após mais de quatro anos depois da festa de formatura, começo a sacar coisas que antes ficavam no plano da teoria.

Em linhas gerais, desde o começo eu entendi que trabalhava com comunicação. Isso continua igual. Porém, há uma série de questões ligadas a este ofício: a empresa que você defende, os clientes que atende, os assuntos com os quais lida no dia a dia, a equipe, sua interação com outras áreas do conhecimento… A lista aqui seria imensa e não quero deixar ninguém entediado logo no segundo parágrafo.

Acredito que o nosso grande papel é o de traduzir as realidades, ou seja, criar espaços de trocas simbólicas em prol de um comportamento que gere resultados concretos. Em outras palavras: por meio de diferentes instrumentos e técnicas, conseguimos fazer com que uma série de indivíduos tenha acesso a um determinado conceito e com base nele tome suas atitudes.

Essa lógica se aplica a diferentes área de atuação do RP. No caso da Comunicação Interna, por exemplo, descobrimos o que o cliente deseja e pensamos na melhor forma de fazer isso – da conscientização sobre o correto uso dos recursos naturais à nova política de remuneração variável. Às vezes, um e-mail marketing ou comunicado já resolve a situação; em outras, é preciso planejar um encontro entre os líderes e suas equipes. Devemos considerar os pontos fortes e fracos de cada instrumento à nossa disposição e depois escolher o que melhor atende aquela demanda específica. Por mais que a rotina faça parecer verdade, não existem fórmulas prontas.

Como peças de um grande quebra-cabeça, é preciso entender não só o nosso papel, mas, também, o das peças com as quais nos encaixamos. A melhor indicação que posso fazer é do pessoal do design gráfico. Cada vez mais a informação circula por meio de imagens, o que demanda uma abordagem visual do que queremos fazer. Uma simples peça precisa ser bonita, estilosa e estar dentro das possibilidades de branding do cliente.

Da minha parte, que é o conteúdo dentro de um ateliê, isso implica em entender que menos é mais (não estou copiando a Globo). Preciso ser o mais assertivo e objetivo possível, para que o time de arte tenha como desenvolver algo legal. Caso contrário, acabo passando um problema para frente.

Outras áreas que devemos entender bem são Comercial e Compras – da empresa em que trabalhamos e do cliente, respectivamente. Uma ideia brilhante, mas que é inviável para o cliente não funciona. Por outro lado, uma ideia que não é defendida de forma correta não desperta o interesse do cliente em pagar por aquilo. É preciso deixar o feeling aguçado para entender qual é o limite das duas partes, de olho sempre numa situação ganha-ganha, pois quem quer se dar bem sempre uma hora se vê sozinho.

Bom, já estou me alongando muito e talvez o tema mereça um outro post. Quero finalizar reforçando que nos quase dez anos de profissão aprendi que lidamos com pessoas e isso demanda um esforço sincero e intenso. Se você quer tocar alguém por meio de uma campanha, precisa ser sensibilizado antes. Ao enviar uma peça para o cliente, é preciso realmente acreditar que ela tem o potencial de alcançar o objetivo planejado – ainda que o cliente peça para mudar tudo. Precisamos ser humanos para ser bons RPs. Caso contrário, *nos tornamos mais um “fazedor” de coisas.

*Sei que está errado escrever desta forma, mas é que acho “tornarmo-nos” muito feio para um post.

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6/11/2015

Onde queremos chegar?

Birdman - mural_crop3Por Everton Aguiar

Passou o Globo de Ouro, passou o Óscar e nós ainda estamos tentando dar conta de assistir os grandes indicados deste ano. Nessa jornada, tivemos boas surpresas como ”O jogo da Imitação” e “O Grande Hotel Budapeste”, mas uma produção chamou especialmente a nossa atenção: Birdman. Já vamos adiantar que não somos críticos de cinema, tampouco temos a intenção de divulgar Spoilers, sendo assim, o que nos resta é falar sobre algumas lições que ficam no âmbito da Comunicação, que por sinal a gente adora.

Em linhas gerais, pode-se dizer que o filme trata basicamente de egos e mostra a situação decadente em que o Homem Pássaro (tradução literal que faz sentido para quem tem um pé na Faculdade Cásper Líbero) se encontra ao viver sua aposentadoria de Super-herói.

Ele quer provar para todos e para ele mesmo que é possível seguir rumos diferentes em sua carreira, apostando na produção, um tanto quanto duvidosa, de uma peça antiga de teatro.

Se você atua no ramo das Relações Públicas, certamente já se identificou ou vai se identificar com a película. Isso porque o personagem é uma bomba de problemas de imagem e vive em uma  crise de identidade que merecia uma equipe toda para ajudar a explorar o seu potencial de uma forma coerente.

É o típico retrato daquele cara que ganhou muito dinheiro fazendo aquilo que não o satisfazia ou até mesmo podemos traçar um paralelo com uma organização que perdeu o foco do seu negócio por acreditar em algo momentâneo e, quando se deu conta, perdeu muitas oportunidades.

De qualquer forma, o filme mostra que isso pode custar caro, pois acreditar na escolha errada fez o personagem principal perder sua família, amigos e virar motivo de chacota para os poucos fãs que lhe restavam. Foi um tombo grande para quem subiu alto demais e já não podia mais “voar”. Seu desespero para que tudo isso não tivesse ficado em vão se evidenciou. Sem ter uma saída ou como voltar atrás, ele foi liquidando cada coisa que lhe restava de bom e teve até mesmo que aceitar a intervenção de gente que não se alinhava aos seus objetivos, mas que, de alguma forma, aumentava a visibilidade do projeto.

Estava cego! Não viu oportunidades importantes como a participação em redes sociais. Além disso, com o lançamento da peça chegando e muitas coisas em jogo, o que importava era a crítica da principal jornalista que cobria a cena do teatro. Por acaso, ela frequentava o mesmo bar que o protagonista, que não hesitou em se apresentar e fazer um follow-up ali mesmo. Ao receber uma negativa convicta, acompanhada de um “vou destruir o conteúdo” coube a ele não mais insistir, mas tentar “cavar” uma crítica positiva (ou nenhuma crítica) na base da ameaça, estratégia um tanto quanto duvidosa.

De modo geral, tudo o que é mostrado tem a ver com a importância de ser bem visto, ser lembrado e poder fazer a diferença. Nós também agimos assim, mesmo que de uma forma mais sutil, quando postamos algo nas redes sociais apenas com a intenção de que os amigos curtam ou compartilhem. Acontece que a linha que divide o “muito legal” do “exagerado” é muito tênue e constantemente corremos o risco de ultrapassá-la. Mesmo sendo um erro humano, organizações fazem isso o tempo todo e depois gastam muita energia e dinheiro para conseguir limpar sua imagem. Para finalizar, compartilho aqui a mensagem colada no espelho do camarim do personagem principal para que fique como reflexão: “Uma coisa é uma coisa e não o que dizem que essa coisa é”.

Fica a pergunta: acredita que isso se aplica em nosso dia a dia profissional?

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4/11/2015

O escritor do inatingível

Gabriel García Márques - Mural

Por Gabriel Moreno

Há certo tempo, os editores desse site e desse espaço intitulado “Mural” escreveram um texto sobre os livros que haviam marcado suas vidas.  “Terapia”, “O diário de Anne Frank” e “Grande Sertão Veredas” foram os títulos lembrados pelos colegas da ArteConteúdo. Um pouco atrasado, decidi mudar ligeiramente o formato e não escrever sobre um livro específico que me marcou, mas sobre o autor que me fez inverter toda lógica que um dia já achei que tive.

Meu escritor preferido é um desses que flutuam entre o mundo real e o mundo criativo. Que consegue tirar da palavra o peso do significado e atribuí-la uma nova visão. Um daqueles que desconstrói o mundo para fazê-lo mais bonito.

Gabriel García Márquez nasceu em 6 de março de 1927 e morreu no ano passado, no dia 17 de abril. Há um mês, foi anunciado que seria lançado um filme sobre sua vida. Acho até que já tenha aparecido em algumas telas pelo mundo, mas, no Brasil, ainda não há previsão de estreia.

De qualquer forma, essa notícia me inspirou a escrever. Tomado pela empolgação de seu filme, fui atrás de mais algumas informações, frases e curiosidades sobre sua vida, como forma de conhecer mais sobre ele e compartilhar isso com quem está à procura de um novo livro para ler, mas ainda não sabe qual.

Gabo tinha aflições das quais apenas a escrita podia salvá-lo. Medos tão humanos e tão comuns, que combinados à sua propriedade na hora de contar histórias, fazem com que qualquer um rapidamente se identifique. A escrita era sua expurgação, sua maneira de exorcizar os demônios. E pelo pouco que conheci e li de seus livros, existia um demônio maior que todos: a solidão.

O medo maior que Gabriel carregava consigo era a possibilidade de ser só. É possível enxergar isso em suas falas. Segundo ele, “não existe pior desgraça que morrer sozinho”. Essa frase combinada ao título de seu maior sucesso (Cem anos de Solidão) já mostra que a grande propriedade que o colombiano detinha para falar de assuntos tão viscerais vinha de dentro de si.

Em outra entrevista icônica, ele definiu que “todo escritor fala sempre de um mesmo tema. A única diferença é que usamos maneiras diferentes para tratar do assunto”. E ao ser perguntado sobre qual seria seu tema, ele, com um sorriso, respondeu: “Sou o escritor da solidão”.

Olhando por esse lado, fica mais claro a maneira pelas quais as coisas acontecem em seus livros. “Cem anos de Solidão”, por exemplo, é uma história bonita, mas impressionantemente trágica. Você termina o livro emocionado e orgulhoso pela maravilha que acabou de ler, mas com um vazio arrebatador pelo desfecho.

“Do amor e outros demônios”, o primeiro livro que li dele, é também uma trama trágica, na qual a solidão não deixa de se fazer presente, mas com o foco em outra grande questão: o amor não correspondido. Esse, aliás, é um tema que se repete em “O amor nos tempos da Cólera” e trata-se de uma ideia a respeito da qual Gabriel sempre teve atenção especial. Segundo ele, “a força invencível que impulsiona o mundo não são os amores felizes, mas os contrariados”.

Amor e solidão: são esses os principais temas do autor. Falar de amor para viver e respeitar a solidão, como forma de nunca a conhecer. Durante todo esse texto fiquei pensando se consegui vender bem o peixe de Gabriel e ser persuasivo para fazer você, leitor, se interessar por ele. Mas pensando nos dois temas que citei acima e que Gabo destrincha em seus romances, acho que motivos não faltam para a sua curiosidade aflorar e você ir logo atrás de um dos livros do maior escritor do século XX. Para mim, o maior escritor da história.

Gabriel Moreno Senaha é estudante de jornalismo e assistente de Conteúdo na AC. Virginiano de feriado, é daqueles que gosta de observar as coisas e escrever sobre elas sempre que a criatividade permite. Por aqui, você vai vê-lo falar de cultura, histórias, esportes e, até mesmo, arte e conteúdo.

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24/11/2014

OSGEMEOS – A Ópera da Lua

Mural - OSGEMEOS_VFinal

Após a concretização do estilo de arte que consagra Gustavo e Otávio Pandolfo no cenário internacional, chega a vez do país de origem celebrar o trabalho dos gêmeos brasileiros. As cores intensas dos personagens característicos da dupla são parte da coletânea feita especialmente para a exposição OSGEMEOS – A Ópera da Lua, que acontece no Galpão Fortes Vilaça, em São Paulo. Aberta ao público desde 1º de julho, a mostra já atrai filas de visitantes ao local e deve rolar até 16 de agosto.

Cerca de 30 obras estão espalhadas pelo espaço, em sequência relacionada, mas indefinida, e divididas em três ambientes distintos, tomados pelo estilo enraizado dos irmãos. A influência para as obras, no entanto, vem da infância dos meninos que nasceram em 1974 e cresceram tendo a arte como forma de comunicação. Tomados pela emergência do Hip Hop nos anos 80, e sempre apoiados pela família, fizeram do que era brincadeira, seu trabalho, transformando as ruas de qualquer cidade em um efervescente ateliê.

Os muros espalhados por São Paulo abriram portas para o mundo lúdico a que o spray de tinta dava forma pelas mãos da dupla, que colore as ruas por onde passam. OSGEMEOS construíram o início de seu legado no espaço público, deixando o bairro do Cambuci e tomando, aos poucos, o cotidiano de muitas pessoas, chamando a atenção pela vivacidade da produção.

Com o tempo, os traços carregados de cores também abriram espaço para a crítica social, ainda imersa no lúdico característico. As obras feitas para instigar os sentidos ganharam reconhecimento mundial, sendo expostas em países como: Cuba, Chile, Estados Unidos, Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Lituânia e Japão. O amarelo vivo da pele dos personagens pode ser visto, ainda, na fachada da reconhecida galeria de arte de Londres, a Tate Modern, do Castelo medieval de Kelburn, na Escócia e no avião que transportou a Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo.

Para a exposição no Brasil, os artistas tiveram como inspiração o despertar do próprio interesse pela arte de rua, a infância que passaram na casa dos avós, de onde saíram muitos dos objetos utilizados para a montagem das instalações. Dividida em três ambientes, a galeria deixou de lado o branco de suas paredes e abriu espaço para as tábuas, portas e janelas esquecidas e que ganharam vida na mão d’OSGEMEOS.

A experiência pelo conjunto criado se inicia em uma sala ampla, completamente tomada pelas cores. As telas tradicionais estampadas pelos conhecidos personagens em situações completamente novas se mesclam a um túnel de tampas de gavetas e batentes pintados em tonalidades quentes, que se unem em uma pequena janela luminosa. Impressiona o número de figuras religiosas unidas às pinturas, como imagens de anjos e pequenas estatuetas dentro de caixas de vidro. A primeira sala, de exposição dos clássicos traços da dupla, culmina na frase que transcreve o que era subentendido do sonho pintado: “A imaginação é um pote de ouro… E quem tiver coragem de cruzar o arco-íris e encontrar a razão de imaginar, estará feliz pra sempre”.

Em um segundo ambiente, a mística é colocada em forma física. As paredes em tons de azul escuro e a iluminação fraca criam a atmosfera mais sombria que abriga o boneco que ocupa quase toda a sala. De boca aberta e ao som alto de engrenagens se movendo, a instalação ganha movimento e dá vida ao que ficava somente na imaginação. Em saltos, os personagens são artifício de sequência de ilusionismo.

Terminando em uma pequena casa, o terceiro ambiente é montado em um único quarto, que visa remeter ao processo criativo de Gustavo e Otávio. São expostos objetos antigos, que marcaram a memória visual dos irmãos, junto a projetores que criam o movimento de peças e cores. As intervenções tomaram não somente o interior do prédio, como seus arredores, com homenagens aos admiradores nos muros que o cercam.

A valorização pelo cinema

Os irmãos Pandolfo também foram fontes importantes para a realização do documentário financiado coletivamente sobre a arte de rua, lançado em novembro de 2013, o Cidade Cinza. Dirigido por Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, o longa traz depoimentos dos principais artistas de rua de São Paulo e coloca em discussão a Política de Limpeza Urbana, decretada pela Prefeitura Municipal em 2008, e que cobria intervenções não autorizadas da cidade. O filme ainda mostra a repintura do mural de 700 metros da Avenida 23 de maio, após protesto da população pela ação do governo.

Fique por dentro!

Exposição: OSGEMEOS – A Ópera da Lua

Local: Galpão Fortes Vilaça – Rua James Holland, 71, Barra Funda, São Paulo

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 18h

Entrada franca

Site oficial: www.fortesvilaca.com.br/exposicoes/2014/406-a-opera-da-lua

Site oficial dos artistas: www.osgemeos.com.br

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22/11/2014

Recomendamos

Livros - Mural

 

Livros - Mural_LANNA

Que os livros são janelas para o mundo, todos já sabem. Portas de armários para Nárnia ou cartas de Hogwarts, e, porque não, até para a realidade ao lado. Conhecer uma pessoa que não é leva a mesma vida que a nossa também é viajar, percorrer não quilômetros, mas as palavras e compartilhar todos os sentimentos daquela pessoa.

Com isso, o livro A Cidade do Sol foi escrito em 2008 por Khaled Hosseini para mostrar o cenário tão diferente de outros. A história de Miriam e Laila, ambas casadas com Rasheed, se passa em Cabul (Afeganistão), que está sob poder do Talibã. Os personagens podem ser fictícios, mas o contexto é o mesmo de mulheres e homens que vivem/viveram dias difíceis na capital. Ninguém melhor para saber isso que Khaled, nascido em Cabul e graduado em medicina nos Estados Unidos. Para mostrar a realidade, que é de miséria, violência e abusos, ele conta cada detalhe vivido por ambas de um jeito que faz o leitor entender o que acontece, interessar e se indignar. Mesmo assim, não escapam de sentir todos os medos, angústias, pavores, e até mesmo (acreditem se quiser) a sede dos personagens.

Na época, com dezesseis anos, o mais difícil de ler A Cidade do Sol foi saber que aquilo estava acontecendo no momento em que eu lia a história. Exatamente por isso que conhecer o íntimo de duas personagens que representam milhares no mundo todo torna as notícias da vida real mais difíceis de ouvir porque a identificação aumenta. Além de ler outros livros do autor ( como “Caçador de Pipas” e “O Silêncio das Montanhas”), também fiquei curiosa pela luta feminina, principalmente no Oriente Médio. O livro Princesa, de Jean P. Sasson, ajudou a entender melhor o contexto em que elas vivem e as causas que pelas quais lutam.

Livros - Mural_MATHEUS

Histórias em quadrinhos, muitas vezes, seguem na vertente de super-heróis ou até mesmo autoajuda e inspirações, mas tem um que vai no caminho oposto. “Terapia” fala de um jovem que se sente triste sem conseguir identificar o motivo para este estado de espírito, motivo pelo qual faz suas sessões de terapia. E são os acontecimentos que se originam da interação com terapeuta que dão vida aos capítulos. Com 20 anos, o personagem principal não fala seu nome, o que aumenta ainda mais a sensação de identificação do leitor.

Com tristeza persistente, o adolescente apresenta sinais de depressão, mas nega tê-la. Com o apoio da família, um futuro promissor e ainda, por cima, uma namorada que o trata muito bem, ele não encontra soluções para o que sente. Porém, quando ele ouve Blues ou toca violão, parece que tudo se esvai. Talvez, por ser um reflexo do que vive, já que as músicas desse estilo são melancólicas, permitindo que manifeste a própria realidade. Quando o terapeuta o questiona sobre a sua relação com a música Blues, na página 8, o jovem diz: “Não é questão de gostar. É realmente meu mundo. Eu pertenço mais àquele mundo do que a este”.

A música é um fator que acaba se misturando e até se confundindo com a própria história, escrita por Rob Gordon junto com Marina Kurcis, estudante de psicologia. O cartunista Mario Cau utiliza diferentes e curiosos traços para representar algo que está subentendido; como, por exemplo, quando retrata o que se passa na cabeça do adolescente.

Esta foi uma das primeiras histórias em quadrinhos nacionais que li, algo que me incentivou a procurar outros cartunistas brasileiros. Recomendo ler “Terapia” por não ser algo comum no universo dos quadrinhos, já que apresenta uma leitura que te faz pensar e refletir até mesmo sobre questões do próprio cotidiano. Por isso, recomendaria para quem gosta de leituras diferentes e também para quem ainda não tem contato com quadrinhos que não têm um super-herói em destaque.

Quer saber mais? Confira o quadrinho no site Petisco!

http://petisco.org/terapia/arquivo/

Livros - Mural_VINI

 

Eu não conhecia a história de Anne Frank, mas quando fiquei sabendo pela minha irmã, meu interesse logo veio. O que mais chama atenção no Diário de Anne Frank, é que ela é uma criança que tem uma visão diferente. Estudiosa, de personalidade forte e mente inquieta, Anne foi uma jovem judia que viveu em meio ao holocausto da Segunda Guerra. Isso já bastaria para ter algo a ser contado. No seu diário, algumas coisas ditas por ela, que começou a escreve-lo com treze anos, mostram uma maturidade muito grande para alguém com a sua idade e imersa naquela realidade. O relato da sua juventude interrompida para viver num esconderijo só porque ela era judia é impressionante. Anne passou um momento com muitos questionamentos sobre a vida e com diferenças com sua mãe e irmã, escondida dentro de uma mesma casa com outra família e um estranho por anos. E de certa forma ela soube lidar com isso, com mais presença de espírito que o normal.

E não foi só a maturidade de Anne que me marcou, mas, também, pude fazer uma autorreflexão sobre o que eu mesmo penso. Parei para me questionar se eu não reclamo demais do que acontece, do que vejo acontecer. Recomendo o livro, mesmo não o tendo terminado ainda. Para quem gosta de biografias, e também para quem gosta de ficção, já que a escrita dela sobre o contexto em que vive pode ser até confundido com um romance, de tão bem narrado, quando, na verdade é um documento histórico de quem viveu a guerra. A leitura do livro é tão natural e ao mesmo tempo densa, especialmente quando lembramos da veracidade por trás das páginas e das circunstâncias em que ele foi escrito.

Livros - Mural_TITO

Recomendo um livro que já foi indicado tantas outras vezes, por tantas pessoas interessantes, que certamente caio no clichê. Estou falando de Grande Sertão: Veredas, do incrível João Guimarães Rosa. E aqui o incrível aparece nos sentidos de “fora do comum” e quase “impossível de se crer” mesmo. Na minha humilde interpretação, a história, que ganha traços complicados pela linguagem muito particular do autor, é, no fundo, uma releitura do amor, da amizade e da capacidade de o ser humano superar as mais ásperas condições de vida – enxergando beleza entre os grãos de areia de uma tempestade no meio da caatinga.

O que gosto no livro – e nos outros que foram escritos pelo Guimarães – é o aspecto da humanidade de suas histórias e de seus personagens. Em alguns momentos temos a sensação de estarmos lendo o relato de algo real, tamanha a semelhança com a vida real ou com o que achamos que é a vida real. Os personagens centrais – Riobaldo e Diadorim – estão lançados à sorte dos cangaceiros, mas são como eu e você: com amores, desamores, vontades, sonhos, dias em que só se quer ficar parado e ver o mundo todo girar sem a nossa influência. Talvez seja por isso que a obra é considerada por muitos como universal, já que traz o enredo do ser humano em si.

Já li o mesmo trecho do livro (até faltar algo como 20 páginas para acabar) três vezes e não tenho coragem de finalizar – por ter feito isso em diferentes etapas da vida, cada vez acabo me atentando a fatos que antes haviam me passado desapercebidos ou sem grande importância. Não sei o que é, mas sempre que estou chegando perto de encerrar a história tenho a sensação de que vou “matar” a obra. Por isso, deixo para a imaginação a difícil tarefa de elaborar sobre o que o Guimarães escreveu naquele final que eu ainda desconheço.

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21/11/2014

Do sonho para os quadros

Mural - Salvador Dalí_vfinal

De lá, Daqui, Dalí em todo o lugar

Famoso ao redor do mundo, Dalí sempre fez questão de fugir dos padrões da sociedade também com as suas obras. Nasceu em 1904, na cidade catalã de Figueres (Espanha), com o título de 1º Marquês de Dalí de Púbol. Logo aos 13 anos, teve a primeira exposição com desenhos feitos com carvão, organizada pelo pai. Participando de exposições e eventos artísticos, mudou-se para Madrid com 18 anos para estudar pintura, escultura e gravura na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando. O pai aceitou que o filho fosse sob uma condição, que se qualificasse para ser professor. Dalí aceitou, mas não era bem isso que tinha em mente. Aliás, difícil saber o que tinha naquela cabeça. Foi lá na Bellas Artes que construiu amizades duradouras com o cineasta Luis Buñel e o poeta Federico Garcia Lorca.

Em uma das aulas de pintura e desenho, o professor propôs usar uma estatueta da Virgem Maria como modelo, mas Dalí pintou uma balança, como um ato de protesto ao modo pelo qual as aulas eram dadas. Apenas um ano depois de ingressar nos estudos, ele foi expulso da Academia por motivos que não surpreendem. Além de julgar que certos professores não tinham a capacidade para avaliar as obras elaboradas pelos alunos, Dalí foi acusado de ter liderado um protesto estudantil contra alguns docentes.

Voltou no ano seguinte, sendo obrigado a repetir a etapa perdida. Foi neste período que ele fez trabalhos conhecidos no mundo inteiro, como O Espectro do Sex-appel e O Jogo Lúgubre. Com o amigo Federico Lorca, viajou no ano de 1925 para passar as férias em Cadaqués. Há quem diga que os dois mantinham uma relação amorosa, como foi mostrado no filme Poucas Cinzas (2010). E com seu outro amigo, Luis, fez filmes surrealistas como Um Cão Andaluz (1929) e A Idade do Ouro (1930). “Sou um monstro de inteligência”, gabava-se.

Apaixonado por confusão, Dalí sentiu a bagunça do amor quando conheceu Helena Ivanovna, mais conhecida como Gala. Ela virou musa do artista a tal ponto que o quadro pintado nessa época, A Persistência da Memória (1931), virou símbolo do estilo surrealista. A combinação de delírio com o real é a marca registrada dele, que descrevia suas obras como “fotografias de sonhos pintadas a mão”. É essa sensação que ele nos passa por meio da arte: de uma desorganização que faz sentido.

Depois de finalizar os estudos, Dalí mudou-se para Paris, onde participava de debates artísticos e acabou integrando um grupo de pintores e escritores surrealistas. Porém, com a Segundo Guerra Mundial, foi expulso da turma, pois muitos defendiam a doutrina marxista e ele não tomava partido nenhum. Desprezando o fato de estar fora dos encontros, Dalí afirmava: “O surrealismo sou eu”. Foi para Nova Iorque com sua companheira em 1940, quando ajudou ninguém menos que Alfred Hitchcock na sequência do filme Spellbound (Quando fala o coração). Para o longa, ele desenhou as imagens do sonho, como já estava acostumado a fazer. Voltaram para a Europa em 1948, época em que já era mundialmente conhecido até pelo seu bigode, inspirado no amigo Velazquez e mantido em pé a base de muita cera. As obras agora estavam focando na religião, na história e até mesmo na ciência, como O Descobrimento da América por Cristóvão Colombo e A Última Ceia, releituras feitas por ele.

Em 1982, a morte de Gala abalou o pintor. A cabeça de Dalí finalmente teve certeza de algo, mas infelizmente era de que não queria mais viver. Desistiu até mesmo de comer, de pintar, de ter energia para projetos. O Mal de Parkinson o acometeu, e ele chegou até a tentar suicídio colocando fogo em seu quarto, em ato de profunda depressão. Não obteve sucesso e ficou sob os cuidados de amigos até o final de sua vida em janeiro de 1989, com 85 anos, quando faleceu de pneumonia e parada cardíaca.

Compreender a lucidez dos sonhos

Não apenas suas obras eram perturbadoras e fascinantes, Dalí também fazia questão de passar essa sensação aos convidados, tanto com declarações polêmicas como nas inusitadas aparições. Durante a abertura de uma exposição surrealista, em Londres, foi vestido de mergulhador. E não para por aí: chegou a fazer uma conferência com um pedaço de pão na cabeça. O que ele mais gostava era de causar confusão na mente das pessoas.

Parece complexo entender, não? É mesmo, tanto que até hoje tentamos desvendar os mistérios por trás das obras do artista. Aos 37 anos, escreveu sua primeira autobiografia para nos ajudar com isso, A Vida Secreta de Salvador Dalí. Diferentemente da maioria que escreve memórias depois de viver boa parte da vida, quis ser diferente, como sempre. “Com meu vício de fazer tudo diferentemente dos demais, achei que era mais inteligente começar escrevendo minhas memórias e vivê-las depois”, dizia admitindo a vontade de se sobressair. E foi o que aconteceu novamente com 61 anos, publicou outra autobiografia chamada Diário de um Gênio.

Quer conhecer um pouco mais sobre essa mente? Hollywood já publicou que vai começar as filmagens do filme Dalí & I: The Surreal Story em breve. E quando você acha que não dá para melhorar, Al Pacino interpretará Salvador aos comandos do diretor e roteirista Andrew Niccol. Agora é esperar, mas se estiver muito ansioso, pode conferir o filme Poucas Cinzas (2010) em que Robert Pattinson interpreta o artista com 18 anos, na época da revolução cultural junto com Luis e Federico.

Você também poderá conhecer um pouco mais na exposição em São Paulo, que vai receber mais de 150 obras, filmes e desenhos do pintor surrealista que mais nos deixa curiosos. Além disso, 95% do acervo é inédito no Brasil, que foram cedidas pelo Museu Reina Sofía e pela Instituição Gala-Salvador Dalí. Dá para conferir de perto as diferentes escolas artísticas como cubismo, impressionismo e surrealismo. Algo curioso, além de toda a vida do artista, é que ele realmente acreditava que pintava mal. Para Dalí, ele só era bom porque os outros eram muito ruins. O que acha de ir apurar você mesmo?

Onde? Instituto Tomie Ohtake, na Av. Faria Lima, 201.

Quando? A partir do dia 16 de outubro, aberto de terça a domingo das 11h até às 20h.

Quanto? Entrada gratuita.

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20/11/2014

Cultura entre colunas

Foto: Júlio Tavares

Tendo como missão “incentivar, divulgar e amparar, por todos os meios ao seu alcance, as artes de um modo geral e, em especial, as artes visuais, visando o desenvolvimento e aprimoramento cultural do povo brasileiro”, o MASP é, hoje, considerado um dos mais importantes museus de arte ocidental do hemisfério sul, sendo parada obrigatória para os turistas que, de todas as partes do mundo, buscam usufruir da diversidade existente na maior cidade do país.Em meio à movimentada região tida por muitos anos como um dos polos econômicos da cidade, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP quebra com o cotidiano tumultuado dos enormes edifícios da Avenida Paulista, abrindo espaço não somente para as manifestações artísticas, mas, também, culturais. Isso porque além das obras expostas no prédio, seu vão livre, tido atualmente como o maior do mundo, serve de palco para músicos independentes, feirinhas, peças ao ar livre e artesãos.

Localizado inicialmente na rua Sete de Abril, também em São Paulo, o MASP foi inaugurado no dia 2 de outubro de 1947, tendo Vitrine das formas, uma apresentação dos objetos através do século, como exposição de destaque. Foi só em 1957, quando Chateaubriand era presidente de honra, que foram iniciadas as obras da estrutura atual, projetada por Lina Bo Bardi e inaugurada em 7 de novembro de 1968, com a presença da Rainha da Inglaterra, Elisabeth II.

Apenas um ano após a abertura da nova sede, em 1969, seu acervo, que hoje conta com aproximadamente oito mil peças, foi tombado como Patrimônio Histórico Artístico e Cultural pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado, e, em 2003, pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O conjunto de itens pertencentes ao MASP já foi exposto em diversos lugares, como o Palácio das Laranjeiras e o Museu Nacional de Belas Artes, localizados no Rio de Janeiro.

Em 1990, as grandes colunas foram pintadas de vermelho, criando uma composição de formas e cores identificada por todos que passam pelos arredores do museu. Em 1993, como uma homenagem à arquiteta idealizadora do projeto, o famoso Vão Livre foi nomeado “Esplanada Lina Bo Bardi”. Quando comemorou 50 anos de existência, em 1997, o MASP registrou um total de 850.000 visitantes!

Logo após a virada do século, o prédio tem a conclusão do seu primeiro processo de restauração. Com João da Cruz Vicente de Azevedo – advogado, empresário e colecionador brasileiro – como atual presidente, o MASP agora abriga um total de 6 exposições, além de seu tradicional acervo. Dentre elas, duas merecem destaque: “Corpos e Rostos”, de Lucien Freud; e aquela dedicada aos trabalhos dos três artistas vencedores do Prêmio MASP de Artes Visuais 2013, Regina Silveira, pelo conjunto da obra, Odires Mlá Szho, como exposição do ano e Rodrigo Braga, como artista emergente. Se você ficou curioso para conferir, saiba que datas previstas para término são, respectivamente, 02 de fevereiro e 16 de março deste ano.

Abrigando o mais variado leque da arte, as exposições do MASP vão da pintura clássica à fotomontagem contemporânea, passando pela escultura barroca sem impor restrições quando o assunto é inspiração e criatividade. Por tudo que representa, o museu será tema de outras publicações da equipe ArteConteúdo durante 2014.

Juliana Milan é estudante do 2º ano do curso de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e atua como Assistente de Comunicação na ArteConteúdo.

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19/11/2014

De volta aos palcos

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A reunião de dois calouros em um dos dormitórios da Universidade de Londres, em 1996, acaba de gerar mais um fruto que promete grande repercussão. Após três anos de reclusão dos estúdios, com foco nas marcantes apresentações, o Coldplay marca sua volta com o álbum Ghost Stories. Os fãs da banda poderão, a partir de hoje, 19 de maio, conferir as nove canções inéditas do sexto álbum do quarteto inglês.

Inicialmente projetada apenas por Chris Martin e Jonny Buckland, atuais vocalista e guitarrista, respectivamente, a banda se estendeu a Guy Berrymore, baixista, e Will Champion, baterista, em dois anos. Com pouco tempo de estrada os amigos de faculdade já eram contratados por promotores de eventos para tocar em pequenos clubes londrinos.

Em 1998, os integrantes lançam seu primeiro EP, Safety, com financiamento próprio. As cinquenta cópias que chegaram ao público geral foram o suficiente para atrair a atenção de gravadoras renomadas. Sim, havia sido dado início à carreira dos músicos. O primeiro álbum, intitulado Parachutes, chegou em julho de 2000 e foi o mais vendido do Reino Unido naquele ano, levando o grupo aos palcos de festivais importantes. Desde então, mais quatro discos foram produzidos e, com eles, vieram as conquistas de prêmios, como três Grammys por Viva La Vida.

O jeito diferente de se fazer rock, trabalhando fortemente com os desvios de sonoridade, alavancou o sucesso e consagrou a banda na cena internacional da música. Todas as novas faixas de Ghost Stories já podem ser conferidas no YouTube e mostram a atenção com cada detalhe do novo processo criativo.  A arte de Coldplay continua com as letras carregadas de emoção e a melodia extremamente característica e, mesmo assim, ainda inova e contagia cada vez mais seus admiradores. Ouça e surpreenda-se com os novos clássicos dos britânicos!

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18/11/2014

Daytripper

Mural - Daytripper

O encontro da vida com a morte: choque de extremos e questionamento da existência norteiam a criação dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá na história em quadrinhos Daytripper. Vencedora do prêmio Eisner, principal reconhecimento para a arte sequencial, a narrativa tem como personagem principal o escritor de obituários Brás de Oliva Domingos. Vivendo à sombra do seu pai, um famoso escritor, o protagonista busca a definição de sua própria essência enquanto fala das experiências das pessoas que já morreram.

Classificada pela crítica americana como “realismo mágico”, a obra oscila pelo concreto e fantasioso sem limites claros, deixando indefinido o plano em que se passa. As referências, no entanto, são explicitamente retiradas da literatura brasileira, o que já é notório pelo nome escolhido para o narrador, extraído do clássico de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. As coincidências entre as ficções, inclusive, vão além: tanto a criação machadiana, quanto o HQ, enfocam a perspectiva de um homem da elite brasileira, explorando seu nascimento e as relações que estabelece durante a vida.

Nos capítulos não numerados cronologicamente, mas, sim, pela idade que o personagem principal teria na época narrada, Brás abre os contatos que o rodeiam e deixa implícita a influência que cada um teve na formação de sua personalidade. A ligação forte, porém reservada, que tinha com o pai, Benedito, por exemplo, interfere na forma como trata o filho, Miguel. Essa distância o aproxima ainda mais de sua mãe, Aurora, a quem dedica seu tempo após a morte do pai.

Para o estudante de Publicidade e Propaganda e Assistente de Arte na ArteConteúdo, Matheus Carvalho, a intensidade dos vínculos é ainda mais clara com a figura de Jorge, seu amigo de faculdade: “ele acompanha Brás em muitos capítulos e é o responsável pela introdução do discurso otimista de aproveitamento do tempo. Eles sempre viajavam juntos e Jorge era quem trazia a visão de que deveriam seguir o que os sentimentos mostravam como o correto”, conta. Além disso, o primeiro encontro com Ana também é prova da vivacidade com que enfrenta os envolvimentos, quando uma troca de olhares em uma padaria cria a certeza de que aquela mulher seria sua futura esposa.

Diferentemente de seu homônimo, no entanto, o Brás de Daytripper assume o lado positivo do que era fardo para o seu xará: os caminhos do ser humano que deve conviver com a inevitável ideia de finitude por conta da morte. Tendo como cenário a complexidade do mundo pós-moderno, Fábio e Gabriel propõem o retorno à apreciação da beleza da simplicidade, o que, para Matheus, foi o fator decisivo para a repercussão tão positiva do projeto. “O sucesso de Daytripper fora do Brasil se dá em função da universalidade de sua história. Você não precisa ser daqui para sentir o que ela quer transmitir”, comenta.

Ainda mais a fundo, pode-se tratar a criação dos gêmeos na perspectiva de Freud. Remetendo à análise do pai da psicanálise, o personagem busca sentido na vida por meio do questionamento do que traria a sua felicidade. Brás tem objetivos e desejos que, quando alcançados, o fariam pleno, assim como estabelece a corrente freudiana do impulso da vontade, que leva à tomada de decisões e formação de princípios.

Na questão artística, a obra também impressiona pela ilustração feita pelos próprios autores. Determinadas partes utilizam apenas o impacto de expressões dos personagens, sem o recurso dos balões de falas, mas que remetem igualmente à expressão. A coloração, no entanto, ficou sob a responsabilidade do americano Dave Stewart e foi premiada no Eisner, entregue na renomada convenção de cultura pop realizada anualmente em San Diego, Estados Unidos: a Comic-Com, em 2011.

A obra ainda foi qualificada como a melhor do ano pelo Festival Internacional de Ficção Científica Utopiales, na França, em 2012. Lançada inicialmente nos Estados Unidos, pela editora Vertigo, a HQ é trazida ao Brasil pela Panini numa versão condensada em 10 capítulos, que totalizam 256 páginas.

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17/11/2014

O retrato de uma geração

Museu da Língua Portuguesa - Cazuza  (PNG2)Aberta ao público em 22 de outubro de 2013, o conjunto é marcante na história do museu por se tratar da primeira exposição sobre um músico. Com o arquiteto e cenógrafo Gringo Cardia como curador, a mostra já alcançou aproximadamente 100.000 visitantes, segundo a orientadora Maiara Fortes. CAZUZA mostra sua cara é uma experiência sinestésica impactante que parece nos levar de volta ao tempo da forte identidade criada pelo rock emergente dos anos 80. Vale dizer que, naquele momento, a juventude do país se dividia em grupos de traços bem definidos, originados de acordo com as preferências relacionadas às vertentes musicais e direcionamentos políticos.

O foco vai além da obra do compositor, percorrendo a história da música nacional desde os primórdios da Bossa Nova, quando o arcadismo entra em conflito com a modernidade, e a poesia ganha espaço nas canções. Os rostos de cidadãos comuns personificam o lirismo da música de Cazuza e, por isso, anônimos inundam a sala repleta de fotos e pôsteres, dando vida às letras conhecidas por todos nós.

Passamos por salas com entrevistas memoráveis e polêmicas do poeta. Um jogo de luzes com som alto ao fundo revela a força das músicas do ídolo. Depoimentos de amigos do mundo artístico mostram a relevância dos movimentos políticos e sociais para a época, com declarações que impressionam e provocam: é posto em destaque o comportamento dos jovens frente às atuais iniciativas políticas, colocando-os no papel de protagonistas do surgimento do novo. Monitores revelam a arte por trás das palavras: o que Cazuza fazia é, sim, poesia, e toda a estrutura de seus versos é destrinchada. Faixas ilustram os gritos de ordem da geração. Objetos pessoais, rascunhos e cartas abrem o lado humano do ícone da MPB. Somos ainda convidados a fazer parte do espetáculo, com microfone e Karaokê abertos ao público.

Cazuza cresceu em meio ao rebuliço. Nasceu com um Golpe de Estado opressor, mas se manteve imerso no universo de busca pela liberdade de expressão. Viu o povo tomar as ruas em busca de direitos, viveu o crescimento e a disseminação dos festivais de música independente, respirou inquietude durante toda a sua vida. O músico que via no samba e no blues enorme semelhança adquiriu linguagem de enorme força política durante sua ascensão artística, tornando-se a voz atemporal da juventude, repercutindo em todas as novas gerações, mesmo após 23 anos da sua morte.

Agenor de Miranda Araújo Neto pode ser visto como um fiel retrato da glória do mundo da arte e a escória da dependência das drogas. Herdeiro da gravadora Som Livre, império da música nacional que não foi seu e nem o apoiou em sua carreira, ainda é homenageado por sua legião de fãs que se perpetua com o passar do tempo. Seus heróis morreram de overdose e Cazuza teve o mesmo fim precipitado: faleceu em julho de 1990 por um choque séptico causado pela AIDS. Fez-se ideologia.

Texto e fotos: Juliana Milan

Veja você também:

Endereço: Praça da Luz, s/nº – Centro – São Paulo – SP

Período: 22/10/2013 a 23/02/2014

Horário de funcionamento: Das 10h às 18h, sendo que a bilheteria fecha às 17h. O Museu abre na última terça-feira de cada mês das 10h às 22h, sendo que a bilheteria fecha às 21h.

Valores: R$ 6,00 para o público em geral. R$ 3,00 para estudantes com carteira de estudante do ano e documento de identidade, pessoas com 60 anos ou mais e aposentados mediante a apresentação de documento comprobatório. Aos sábados o ingresso é gratuito para todos os visitantes.

Aproveite: Nesta última semana, o Museu da Língua Portuguesa abre suas portas a todos de forma gratuita. Este é mais um motivo para você não perder esta chance de conhecer um pouco mais do “garoto que queria mudar o mundo”. 

Site oficial: http://www.museulinguaportuguesa.org.br/

Museu da Língua Portuguesa - Cazuza  (13_JPG)

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14/11/2014

“Ninguém segura esse rojão”

Mural - Chico Buarque_vfinal

“Pedaço de mim”

Seu pai, Sérgio Buarque de Hollanda, era historiador e possuía importantes obras para a formação nacional; já a mãe, Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, era pintora e pianista. Foi nesse ambiente de mistura da arte e dos estudos da sociedade que nasceu Francisco Buarque de Hollanda, ou Chico Buarque, no Rio de Janeiro em 1944. Mesmo com a influência de seu pai, que também confessava ter interesse pelas artes, a curiosidade de Chico não poderia ser diferente: transitando de livros para a música. E ainda por cima, tendo o incentivo dos amigos da família, como Vinícius de Moraes, Paulo Vanzolini, Baden Powell e Oscar Castro Neves. Ainda no começo da adolescência, na época de Elvis Presley, Chico Buarque já dizia mesmo era que queria “cantar como João Gilberto, fazer música como Tom Jobim e letra como Vinicius de Moraes”. E foi com João que ele se inspirava para escrever suas primeiras marchinhas de carnaval, que cantava junto com as três irmãs mais novas.

Ao escolher uma profissão, optou pela Arquitetura, ingressando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP em 1963. O foco dele e de sua turma, porém, não estava nos estudos: eles gostavam mesmo era de se reunir para fazer um bom samba. Tanto que saiu no terceiro ano para se dedicar totalmente à música, algo que já tomava boa parte de seu tempo naquela época. Em 1965, já com o seu primeiro disco compactado no ano, ele foi convidado para fazer a música do poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Neto. Naquele tempo o país passava por um movimento artístico muito forte com o cenário cultural crescendo, e ele acabou se tornando uma celebridade com as músicas escritas nos festivais. As músicas “A Banda” e “Roda Viva” foram destaques na época.

“Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”

Ele se viu cercado pela ditadura, quando suas músicas tomaram a forma de protestos políticos ao invés do lado lírico, a censura o fez sofrer duras críticas e ele até se auto exilou em Roma. Como muitas de suas músicas eram rejeitadas pelos oficiais da ditadura, ele teve que adotar um pseudônimo: Julinho Adelaide foi o nome escolhido para escapar da censura. Deu certo, pois canções como “Acorda, amor” e “Milagre brasileiro” foram aceitas sem preocupações. A casa do quase arquiteto caiu em 1975, quando o Jornal do Brasil revelou a verdadeira identidade do tal Julinho.

 “Com um copo e com um cigarro, um em cada mão”

Sua vida de músico e compositor não era nem um pouco fechada, muito pelo contrário, ele fazia tudo o que queria e podia. Além de levar jeito na música, ele também tem um lado de Sérgio Buarque quando o assunto é literatura, sendo o autor de obras como Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003), que ganhou um filme em 2009, e Leite Derramado (2009), que ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura.

Já no teatro, Chico escreveu peças importantes que foram duramente reprimidas na época da ditadura, e algumas nem chegaram a ser encenadas. A exemplo de “Roda Viva” e “Calabar – O Elogio da Traição”, que teve sua estreia no ano passado, quatro décadas depois da censura que impediu a estreia.

E não para por aí, as inúmeras trilhas sonoras e canções feitas para filmes chegaram a marcar época com composições, como para “Os Saltimbancos Trapalhões”, “Dona Flor e seus dois maridos” e muitos outros.

Entre tantos projetos de sucesso, Chico também parece ter acertado no amor. Marieta Severo, a Nenê de “A Grande Família”, foi sua companheira por trinta anos, período em que tiverem três filhas – Silvia, Helena e Luíza. Juntos, enfrentaram os anos de chumbo, quando ela encenava as peças escritas por ele e chegaram, inclusive, a serem exilados para Roma. E apesar de tudo isso, ele sempre encontrou tempo para torcer fervorosamente para o Fluminense, paixão que herdou da mãe.

Meus Caros Amigos

Além dos amigos da família, Chico Buarque já teve parcerias com Tom Jobim, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Toquinho, Ruy Guerra, Edu Lobo e Francis Hime. Apaixonado pela vida boêmia, ele fazia questão de manter contato com os amigos e a eles dedicou algumas de suas músicas. Entre elas está “Meu Caro Amigo”, direcionada ao diretor Augusto Boal durante seu exílio em 1971.

Setentão

O Brasil sediava a Copa do Mundo no dia de seu aniversário, 19 de junho, e apesar de ser fanático por futebol, Chico Buarque foi comemorar em Paris, na França. A Copa não apagou as homenagens ao artista brasileiro multitarefas, além de entrar para o time dos setenta anos, também tem quatro peças baseadas em sua obra que estreiam em São Paulo e Rio de Janeiro até setembro.

Espetáculos:

Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”:

É o primeiro espetáculo oficial em homenagem aos 70 anos de Chico, com uma montagem que reúne canções que Chico Buarque compôs para peças de teatro e para os filmes.

Onde? FAAP Teatro.

R. Alagoas, 903 – Higienópolis – Centro.

Quando? Até o dia 07/09/2014. Desexta às 21h30, de sábado às 21h e de domingo às 18h.

Quanto? Inteiras a R$ 100 no mezanino e a R$ 120 na plateia.

Para mais informações: http://www.faap.br/teatro/emcartaz.html#chico

 

Ópera do Malandro”:

Texto de Chico Buarque que foi inspirado na “Ópera dos mendigos” (1728), de John Gay, e na “Ópera de três vinténs” (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill, ao fazer a peça sobre o malandro carioca.

http://www.theatronetrio.com.br/pt-br/programacao.html

Quando? De 08/08 até 31/08. De quintas e sextas às 21h, sábado às 21h30 e domingo às 20h.

Onde? Theatro NET Rio, Rua Siqueira Campos – N° 143 – 2º Piso. Copacabana, Rio de Janeiro. R. Álvares Penteado, 112 – Centro

Quanto? Plateia e frisas: R$ 150, Balcão: R$ 100.

http://culturabancodobrasil.com.br/portal/opera-malandro/

Quando? De 08/08 até 31/08. De segunda a sábado às 20h e de domingo às 19h.

Onde? Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo.

Quanto? Entrada inteira é R$ 10.

 

O Grande Circo Místico”“:

Chico Buarque e Edu Lobo são os responsáveis pela trilha sonora do espetáculo “O Grande Circo Místico”, originalmente apresentado em 1983.

Quando? De 14 de agosto a 28 de setembro. De quintas e sextas às 21h, sábado às 21h30 e domingo às 20h.

Onde? Theatro NET São Paulo. Rua Olimpíadas, 360, 1° Piso – Shopping Vila Olímpia – Itaim Bibi, São Paulo.

Quanto? ?

Para mais informações: http://www.theatronetsaopaulo.com.br/pt-br/programacao/11/O_GRANDE_CIRCO_M%C3%8DSTICO,_O_MUSICAL_-_ESTREIA_14_DE_AGO.html

 

“Stagium Dança Chico Buarque”:

Embalados ao som de composições do aniversariante e parceiros, os bailarinos revitalizam a peça que também foi apresentada em 2005.

Onde? Teatro J. Safra.

Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda, São Paulo.

Quando? De 29 de Agosto a 07 de Setembro de 2014, de sextas às 21h30, sábados às 21h e de domingo às 19h.

Quanto? R$50.

Para mais informações: http://www.teatrojsafra.com.br/29082014-espetaculo-stagium-danca.html

 

“Reconstrução”:

Essa é uma releitura que foi inspirada pelos personagens criados nas letras de Chico para fazer a peça.

Quando? Estreia dia 18/09.

Onde? Cia. Da Revista.

Praça Roosevelt, 108 – Centro, São Paulo.

Quanto? Ligar no telefone 3255-0829.

Para mais informações: http://www.ciadarevista.art.br/paginas/index.asp?link=btRepertorio

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14/11/2014

AC Entrevista – Guilherme Tichauer

Guilherme Tichauer - Mural

Fotógrafo por profissão; publicitário e descendente de alemães que vieram para o Brasil fugidos da guerra, Guilherme Tichauer é o entrevistado da ArteConteúdo para o Mural. O paulistano “da gema” vive na mesma casa desde criança, “um paraíso escondido”, como gosta de definir a pequena vila próxima à Avenida Paulista. Guilherme é apaixonado pela fotografia e nos mostra que, mesmo com todas as diversões, a profissão traz responsabilidades, refletindo sobre o valor do momento à um click de distância.

ArteConteúdo – Para começar, conte-nos um pouco sobre você e o que faz.

Guilherme Tichauer – Tenho 26 anos e estudei na Faculdade Cásper Líbero de 2005 a 2008, quando fiz Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda. Moro na mesma casa em que meu tio e minha mãe foram criados, um refúgio dessa “Babilônia”. Nasci aqui, fui criado, vivo, sobrevivo e gosto daqui, mas, ao mesmo tempo, tenho minhas fugas para poder ficar com a mente mais livre, pensar em outras coisas.

Acho que a fotografia, como trabalho, proporciona duas experiências: muitas vezes temos que “pegar” o que está acontecendo e, em outras, temos que buscar algo específico. Apesar de ser muito divertida e muito gostosa de se trabalhar, é uma profissão como qualquer outra, com seus dead lines e cobranças de clientes.

Assim, o momento de relaxamento e observação sem a obrigação de registrar também é necessário, temos que observar as coisas apenas para nós mesmos. Muitas vezes, quando estou sozinho, tenho a câmera comigo, mas não fotografo. Fico apenas observando, absorvendo e assistindo a vida passar.

AC - Como a arte surgiu na sua vida? Você sempre pensou em trabalhar com comunicação?

GT - Na verdade, não. Até a sétima série eu estudei em um colégio gigante, daqueles com 50 alunos por sala. Depois, até por algumas divergências, fui parar num colégio semi-interno no Campo Belo, chamado Essência Equipe de Ensino.

No início não gostei, porque todos os meus amigos ainda estavam no Liceu, mas com o tempo comecei a ver o quanto essa mudança foi boa, por colocar novos questionamentos sobre a vida. Lá tínhamos uma sala para alunos especiais, então convivíamos com crianças com diferentes tipos de retardo mental, deficiência auditiva e deficiência visual severa. Porém, mesmo com essas barreiras elas estavam estudando e correndo atrás das coisas, o que me mostrou algo muito forte. Eu via essas pessoas felizes, apesar de tudo e de todos os preconceitos. Mudou muito a minha vida, a forma de perceber como simples coisas podem fazer as pessoas felizes. Coisas pequenas nos tiram de preocupações maiores e colocam outros planos em nossas mentes, fazem enxergar outras coisas.

Sobre o futuro, tinha muitas dúvidas. Gostava de matemática e pensava em fazer Engenharia, por exemplo. Eu também gostava muito de ler, sempre gostei e tinha a ideia de fazer Direito. Como venho de uma família de médicos, passou pela cabeça fazer Medicina. Ou seja, era uma bagunça (risos).

No novo colégio comecei a perceber que eu tenho o lado da comunicação muito forte, sempre tive. Sempre gostei de conversar com todo mundo, de ouvir os outros, ideias novas, de estar por dentro das coisas que estão acontecendo. Depois, corri atrás, pesquisei mais e fui em feiras de profissões. Quando entrei em Publicidade, sentia que ainda estava um pouco perdido, mas logo no segundo ano a fotografia apareceu na minha vida.

Certo dia fui até a Cásper checar um e-mail, pois estava sem internet em casa, e encontrei um amigo que me falou que havia uma vaga para monitor no laboratório de fotografia. Na mesma hora imprimi meu currículo e levei no estúdio. Quando vi o ampliador, senti o cheiro de químico, soube que precisava trabalhar lá. Nem pensava em levar a fotografia como uma profissão, mas queria aprender, saber como se revelava e ampliava uma foto.

Uma semana depois me deram a notícia de que havia sido aprovado e fiquei muito feliz, era meu primeiro emprego, estava super empolgado. Para se ter uma ideia, os monitores podiam trabalhar por seis meses, mas acabei ficando por dois anos, período em que trabalhei com o Claudinei e o Toshio, dois professores da casa.

Eu tinha aula de manhã, aprendia algumas coisas, e à noite eu estava lá como profissional, junto com o professor. Tinha a mesma aula três vezes e isso me ensinou muito da técnica do analógico, do papel fotográfico, do negativo, criou uma “sementinha” no meu coração, que foi trazendo a paixão pela fotografia.

No ano seguinte, um amigo estava trabalhando em um estúdio e me chamou para ser assistente de um fotógrafo, foi quando conheci o Marco Maia, da área de moda. Ele foi o responsável por me apresentar a fotografia como profissão, uma forma de comunicação e de passar uma mensagem através de imagem. Quando saí de lá fui trabalhar com o Paulo Vicente e o Marco Antônio, com os quais estou até hoje.

AC - Como você acha que acontece a comunicação pela fotografia? Ela é o meio, o começo ou o fim? Onde ela se encontra nesse emaranhado?

GT - Eu acho que a fotografia está em vários pontos, mais do meio para o fim. Ela já é sua mensagem, praticamente, mas até chegar à ela tivemos que ponderar mil coisas. Se é uma foto para publicidade, por exemplo, tivemos vários processos para chegar à ela em si, como o briefing, as reuniões com o cliente, a cotação de modelos que tenham a ver com a marca e com o que querem passar. Você vai produzir, fotografar e depois ainda existe uma série de outras ações, como o tratamento da imagem, o acabamento e, geralmente, em cima dela ainda vai um texto, uma marca.

Na arte, acho que ela é um meio, porque no final será o que o expectador sairá pensando, entra a percepção de cada um, ela é um meio do artista chamar a atenção de quem está passando; ou uma foto muito agradável, ou de algo que cause um estranhamento. São colocados alguns questionamentos, você se posiciona como um fotógrafo e vai pensar no que ele pretendia quando fez a foto, o por que dela ser importante.

AC - Como você faz isso do ponto de vista do fotógrafo? Você tem que estar mais aberto profissionalmente? É um misto de uma técnica apurada e um olhar mais sensível?

GT - Atualmente, trabalho mais com a fotografia social, com eventos empresariais, aniversários, batizado e, principalmente, casamentos. Eu trabalho de uma forma não convencional, é a fotografia como um fotojornalismo mesmo, um ângulo de observador, tentando estar presente no momento, captar o sentimento e a energia do local. Eu não tenho portfolio na internet, não fecho e não mando orçamento por e-mail, não faço nada sem antes conhecer as pessoas, porque acho que é uma coisa muito sensível. O que importa não é simplesmente um registro, uma foto, mas absorver o que está no dia para a foto acabar sendo uma página de uma história. Minha maior alegria é quando os noivos pegam a foto e lembram o momento, quando ela transporta e traz o calor do acontecimento.

AC - E como isso acontece na prática?

GT - O que me encanta muito na fotografia é poder tocar as pessoas, poder me comunicar, passar um pouco do que eu sinto também. Quando eu estou com os casais faço questão de me aproximar deles, conhecê-los, conversar, saber quem são, como se conheceram, há quanto tempo estão juntos, o que almejam, pois tudo isso influi bastante.

Com a técnica em mente e o conhecimento dos procedimentos do evento, temos uma certa tranquilidade de sabermos o que vamos fazer. Quando não conhecemos o local, a maneira como as coisas estão dispostas e a luz, o que nos dá tranquilidade é estarmos garantidos na técnica. Na hora é muito improviso, porque não temos como controlar o que vai surgir nos sentimentos, eles vão aflorando e tudo vai acontecendo. Quando chego no local tudo é abstraído, minha entrega é completa. Muitas vezes, temos que nos colocar como amigos e não como profissionais, temos que deixar as pessoas se sentindo à vontade para entrarmos na “casca” e traduzir esses sentimentos em imagens. Você está ali como um convidado da festa. Alguns momentos nem registramos, estamos vendo o sentimento, mas aquilo não é para ser guardado, foi um momento pessoal.

AC - Como você vê a evolução da prática fotográfica?

GT - Hoje, todo mundo que tem câmera digital se diz fotógrafo, ainda mais com o Photoshop. Mas ao colocar um filtro, por exemplo, muitas pessoas nem sabem o que está acontecendo com a foto. A técnica é imprescindível a partir do momento em que você só vai conseguir exercitar o olhar e o sentimento de estar presente quando você está com ela afinada.

Temos essa liberdade da edição digital, mas antigamente não, os fotógrafos tinham que acertar porque não tinham como saber o resultado na hora, tinham que ter anos de prática e treino para perceber a luz, a sombra, as nuances. Se quisesse fotografar em preto e branco, tinha o filme especial, ou fotografava em colorido e mudava na revelação, o que já alterava as tonalidades e o fotógrafo sabia disso. Muitas vezes tinha que voltar em outro momento ao local da foto e esperar a hora certa, mas a ideia já podia não ser a mesma no outro dia. Você está registrando um momento passado, ele pode vir a significar outra coisa em uma época diferente.

AC - E a facilidade e democratização afetam a qualidade?

GT - Pela facilidade atual, muitos fazem um trabalho em que falta profissionalismo, há muitos fotógrafos amadores. Para mim, amador é o cara que ama o que faz, nada indica que ele vai fotografar mal, as vezes por pesquisar sobre a câmera e ter esse olhar diferenciado, vai conseguir um trabalho muito bom, mas se a técnica não é trabalhada, é difícil manter o olhar livre, vai ficar toda hora se preocupando se está acertando ou errando.

Se você está a toda hora clicando, olhando para a foto e ajustando de novo, está apenas apertando o botão e olhando para ver se acertou, está chutando e a ideia é sentir que está certo. São relações totalmente frágeis, perecíveis e superficiais.

Acho ruim quando alguém vê uma foto bonita e, em vez de me perguntar como eu deixei o personagem à vontade, pergunta algo técnico (qual o ISO, qual o obturador etc.). Existem muitas combinações que eu posso usar, tecnicamente falando. O sentimento está muito mais arraigado na imagem do que a técnica. Muitas vezes uma foto está mais escura e uma agência de publicidade com certeza a rejeitaria, mas para os personagens está cheia de sentimento, temos públicos e horas diferentes.

A mesma coisa com o Photoshop. Alguns tiram fotos de qualquer jeito e deixam para arrumar tudo no software. Porém, garantir o seu trabalho na pós-produção não é bacana. Não vou falar que eu não uso porque estaria mentindo, eu trato todas as minhas imagens, fotografo em .RAW, que é um formato mais “cru” que o .JPEG. É como se fosse um negativo, então você é obrigado a “revelar” isso, mas os ajustes que eu faço são de contraste, saturação e níveis. Mesmo com todas essas ferramentas, se você não tiver uma base boa para trabalhar, não vai dar certo. Você tem que começar fazendo bom e, se precisar, ou for uma coisa da sua linguagem, intervir digitalmente.

AC - O que você faz para conciliar o lado sensível com as demandas mercado? O que você diria para os profissionais da comunicação que precisam estar com isso bem alinhado?

GT - Na fotografia, em alguns momentos eu preciso estar bem sensível com relação ao que está acontecendo, e em outros não. Se eu for fotografar um produto ou uma arquitetura, por exemplo, eu não tenho que estar com a sensibilidade tão aguçada quanto um book ou um casamento. Mesmo a foto de arquitetura, se você não estiver com a sensibilidade pouco apurada, você deixa passar muita coisa.

Eu acho que não temos controle sobre isso. É muito importante se exercitar, estar em contato com a natureza, ter atividades fora do trabalho que te deem prazer, para poder ficar um pouco mais livre, mais solto. É muito importante se permitir sentir também, estar bem ou mal consigo mesmo, mas assumir aquilo. Eu acho que é muito difícil conseguir expor o seu sentimento e colocá-lo em alguma coisa se você não está sendo honesto consigo mesmo, se não estiver em sintonia. Isso dá um autoconhecimento que nos permite enxergar o que é real e o que não é, o que está verdadeiramente ali e o que está sendo criado.

A fotografia tem um pouco de sorte também, existem fotojornalistas geniais que tiveram alguns desses momentos, como Robert Capa, Bresson, Annie Leibovitz que são muito bons e estudaram não só a fotografia, mas história, música. A Annie Leibovitz, principalmente, fez muitos retratos de músicos do rock e foi fotógrafa da Rolling Stone por um bom tempo. Ela ia nos shows, ficava no back stage, bebia com os caras, ia para o hotel, para as festas, passava mal e se entregava junto, fazia parte daquilo.

AC - O fotógrafo é uma pessoa que trabalha com outros profissionais também. A não ser que seja alguém ligado à arte, ele vai trabalhar com uma agência, com a criação, com redator, com cliente. Como o fotógrafo se encaixa nessa engrenagem?

GT - É uma relação que pode ser extremamente profissional e, também, mais pessoal. Você faz um trabalho para uma agência que gosta e ela vai te indicar para outra. Um diretor de arte que você conheceu em uma pode ter ido para outra e você pode encontrá-lo lá, podemos encontrar colegas de faculdade ou um amigo de infância, o que acaba gerando esse lado mais pessoal. Quando você trabalha para uma agência, tem o atendimento cobrando, o diretor de arte acompanhando a foto, modelos, maquiadores e produtores, são várias pessoas que você tem que agradar. Acho muito importante a criação de um vínculo, mesmo que seja só no dia, para ter alguns momentos de descontração. Comunicação é uma criação de vínculos.

AC - Pensando em quem está começando a carreira, o que você teria para compartilhar? Como se chega a um patamar em que você pode se dizer um profissional da fotografia?

GT - Estudar muito em primeiro lugar. Não somente entrar em uma faculdade ou em um curso, mas considerando o acesso fácil à informação pela internet. É legal ir atrás e conhecer trabalhos. Se você gostou do que alguém faz, procure outros trabalhos dele para saber se gostou da visão ou de um trabalho específico. Caso seja o trabalho específico, por que gostou? O que te atraiu lá?

Para mim e para muitos com quem converso, o que mais funciona na fotografia, além do estudo, é o próprio trabalho. Eu aprendi a fotografia como assistente, como monitor na faculdade, como segundo fotógrafo. Eu via as pessoas trabalhando, o resultado que obtinham e ia ligando o que ela fez no dia da foto com o resultado, fazia conexões e essa observação é muito importante. Antes de perguntar, tente descobrir o que foi feito, pense.

O mais importante é a observação e a calma, não tenha pressa. A partir do momento em que você faz algo que gosta e te dá retorno, automaticamente começa a ter vontade de aprender mais. Você vê coisas diferentes e vai querer fazer diferente também. Você pode garantir o que tem que fazer e, em seguida, tentar algo novo. Erre e tente novamente, foque no seu erro e tente muda-lo, transformá-lo em algo positivo. Muitas vezes, o que deu errado pode, ainda assim, resultar em algo bom e, se não sabemos qual foi o equívoco, nunca conseguiremos repetir o que foi feito, talvez até mesmo algo que possa ser usado como técnica pessoal.

Corra atrás das pessoas, mande e-mails perguntando se pode acompanhá-las e dar assistência em algum trabalho, já fiz muito isso e, hoje, sou procurado para dar essa primeira oportunidade.

AC - O que você espera para 2014, profissionalmente?

GT - Durante esses sete anos que estou fotografando profissionalmente, vejo que muitas das “sementinhas” que plantei estão dando frutos, mas sinto que consigo muito mais. O mundo é dos que arriscam, temos que sair da segurança do lugar comum, do conforto e tentar algo a mais.

Já tenho, nesse começo de ano, várias reuniões marcadas, principalmente nesse lado de eventos sociais, com pessoas que gostaram do meu trabalho e me indicaram. Sinto uma conexão com os meus clientes, deixo de ser apenas um fotógrafo e me torno um amigo, algo que quero reforçar ainda mais agora.

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